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"Ofensiva de Rubio na Europa intensifica debate sobre soberania e Sul Global no Brasil", indica Jabbour

Professor se manifesta no X após fala em Munique e relaciona cenário internacional à pré-candidatura a deputado federal

Elias Jabbour (Foto: Reprodução/YouTube/Podcast 3 irmãos)

247 - O professor Elias Jabbour utilizou a rede social X para comentar o discurso de Marco Rubio na Conferência de Segurança de Munique e defender uma reorientação estratégica da esquerda brasileira diante do atual cenário internacional. A manifestação ocorreu após a repercussão da participação do senador norte-americano no evento, que reuniu lideranças políticas e diplomáticas da Europa e dos Estados Unidos.

Em sua publicação, Jabbour fez uma leitura crítica da posição expressa por Rubio. “Ontem na Conferência de Munique Marco Rubio recoloca a Europa ao lado dos Estados Unidos em busca de um objetivo comum: a recolonização do Sul Global. Foi elogioso aos impérios coloniais e destilou seu ódio ao movimento comunista internacional por destruir essa estrutura.”

Para o professor, o episódio simboliza uma tentativa de reorganização geopolítica que reforça a aliança entre potências ocidentais em um contexto de disputa por influência global. A análise se insere em um debate mais amplo sobre a perda relativa de hegemonia dos Estados Unidos e o aumento das tensões internacionais.

No mesmo posicionamento, Jabbour argumentou que a esquerda brasileira precisa atualizar sua linguagem política para enfrentar esse cenário. “A esquerda brasileira deve absorver um léxico claramente nacionalista caso queira estar à altura do que está por vir.”

A reflexão conecta o debate internacional ao ambiente político doméstico. Ao abordar o tema, ele também associou sua análise à disputa eleitoral brasileira: “A nossa pré-candidatura a deputado federal é uma resposta nacionalista de esquerda a este estado de coisas no mundo e no Brasil.”

Em entrevistas anteriores à TV 247, Jabbour já havia defendido que a esquerda latino-americana ainda opera, em grande medida, com referenciais teóricos e políticos da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, sem se reconhecer plenamente como parte do Sul Global. Segundo ele, essa postura limita a formulação de respostas estratégicas diante da escalada de pressões externas e contribui para o avanço da extrema direita.

A manifestação no X reforça essa linha de argumentação e demonstra como a leitura do cenário internacional tem sido incorporada ao debate político interno. Para Jabbour, compreender as transformações geopolíticas em curso é condição necessária para estruturar uma agenda que combine soberania nacional, inserção internacional autônoma e enfrentamento das forças conservadoras no Brasil.

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