Ofensiva iraniana derruba operação da Amazon no Bahrein
Guerra no Oriente Médio já ultrapassou os limites dos campos de batalha e passou a atingir a infraestrutura tecnológica global
247 - Uma ofensiva iraniana causou danos à infraestrutura de computação em nuvem da Amazon no Bahrein, de acordo com reportagem do Financial Times publicada nesta quarta-feira (1º), com base em fonte familiarizada com o ocorrido. O episódio representa a segunda interrupção das operações da Amazon Web Services no país em menos de um mês, evidenciando que a guerra no Oriente Médio já ultrapassou os limites dos campos de batalha e passou a atingir a infraestrutura tecnológica global.
O Ministério do Interior do Bahrein havia informado anteriormente que equipes de defesa civil combatiam um incêndio em instalações de uma empresa no país. Autoridades confirmaram a origem iraniana do ataque. O episódio ocorreu um dia após a Guarda Revolucionária do Irã ameaçar explicitamente empresas norte-americanas com presença no Oriente Médio, citando nominalmente Microsoft, Google e Apple como alvos potenciais, em represália às ofensivas contra o território iraniano.
A Amazon Web Services é a divisão de computação em nuvem da Amazon e constitui parte essencial da infraestrutura digital global, sendo responsável pelo funcionamento de inúmeros sites de grande alcance e de operações governamentais em diversos países. Qualquer interrupção em seus servidores regionais pode provocar efeitos em cadeia de alcance internacional.
Contexto
Os ataques dos Estados Unidos contra o Irã tiveram início em 28 de fevereiro, com Washington alegando que Teerã avançava no desenvolvimento de armamento nuclear. A Organização das Nações Unidas, no entanto, rejeitou essa narrativa, afirmando não haver evidências concretas de que o governo iraniano tenha desenvolvido bombas nucleares.
Desde o início das hostilidades, o conflito se alastrou muito além das fronteiras iranianas. O Líbano tornou-se alvo direto de ataques israelenses, com o Hezbollah no centro das operações militares.
O Catar, mesmo abrigando a maior base aérea norte-americana da região, foi atingido por Teerã: duas instalações de produção de gás natural foram danificadas, forçando Doha a interromper temporariamente sua produção.
Bases militares dos Estados Unidos em Omã também foram alvejadas por ofensivas iranianas, enquanto Bahrein, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia, Azerbaijão, Chipre e Emirados Árabes Unidos igualmente foram arrastados para a dinâmica do conflito.
Irã descarta confronto com países do Golfo
Em meio à escalada, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, buscou delimitar os alvos das ações de Teerã. Segundo a mídia estatal iraniana, Araghchi deixou claro que o país não está em confronto com as nações do Golfo Pérsico, mas em enfrentamento direto com os Estados Unidos.
Washington conta com ao menos oito parceiros formais na região, entre eles Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. Do outro lado, o Irã mantém vínculos estratégicos com o Paquistão, com o Hezbollah no Líbano e com grupos armados no Iêmen.
Números de mortos
O saldo humano do conflito é crescente e alarmante. De acordo com dados divulgados pela Crescente Vermelha Iraniana na última sexta-feira (27), ao menos 1.900 pessoas morreram em ataques ao Irã desde 28 de fevereiro, incluindo pelo menos 200 crianças. As estatísticas foram divulgadas pela jornalista Catherine Nicholls, da CNN.
No Líbano, o Ministério da Saúde contabilizou 1.247 mortos em decorrência de ataques israelenses desde 2 de março, entre eles ao menos 124 crianças. No Iraque, autoridades registraram ao menos 101 óbitos desde o início da guerra, com 13 mortes adicionais na região semi-autônoma do Curdistão.
Dentro de Israel, cerca de 19 civis perderam a vida desde o início do conflito, além de seis soldados israelenses mortos no sul do Líbano. O Comando Central dos Estados Unidos confirmou a morte de 13 militares norte-americanos desde o início das operações.


