ONU cobra Israel por risco de genocídio em Gaza
Relatório da ONU aponta violações graves em Gaza, alerta para limpeza étnica e pede fim da presença ilegal israelense na Palestina
247 - A Organização das Nações Unidas cobrou que Israel adote medidas para impedir “atos de genocídio” em Gaza, em meio a um alerta sobre violações graves do direito internacional, limpeza étnica e avanço da presença israelense nos territórios palestinos ocupado.
Segundo a Al Jazeera, o novo relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, divulgado nesta segunda-feira (18), analisou a conduta militar israelense na guerra em Gaza até maio de 2025 e concluiu que Israel cometeu “graves violações do direito internacional humanitário, que em muitos casos podem ter constituído crimes de guerra e outros crimes atrozes”.
O documento também expressa preocupação com a situação na Cisjordânia ocupada, onde a ONU aponta aumento da violência praticada por forças israelenses e colonos. A chefe de direitos humanos das Nações Unidas pediu que Israel “ponha fim à sua presença ilegal no território palestino”.
De acordo com o relatório, embora o Exército israelense alegue ter buscado o retorno de reféns e alguns ataques tenham atingido alvos militares, muitas mortes provocadas pela ofensiva foram consideradas “ilegais”. A guerra começou após os ataques de 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, realizados pelo Hamas e outros grupos armados palestinos, que deixaram cerca de 1.200 mortos e resultaram na captura de 240 pessoas.
Desde então, quase 73 mil pessoas morreram em Gaza, segundo relatos do Ministério da Saúde local citados pela Al Jazeera. Diversas investigações, incluindo apurações da ONU e da Associação Internacional de Acadêmicos de Genocídio, concluíram que a guerra israelense contra o enclave configurou genocídio.
Apesar do cessar-fogo firmado em outubro, as forças israelenses mantêm um rígido regime de segurança no território. Nos últimos sete meses, centenas de outras pessoas foram mortas. Observadores do conflito afirmam que, desde o cessar-fogo com o Irã no mês passado, os bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza se intensificaram. Também houve aumento de ataques de colonos e militares israelenses na Cisjordânia.
O relatório da ONU alerta para a “prática concertada e acelerada de Israel de minar o tecido da vida palestina, ao mesmo tempo que consolida a anexação de grandes partes” dos territórios ocupados. Para o organismo internacional, essa dinâmica revela uma trajetória profundamente preocupante.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu que Israel “impeça a prática de atos de genocídio”, garanta o retorno dos palestinos deslocados às suas casas e “ponha fim à sua presença ilegal no território palestino”.
A ONU também condenou o Hamas e outros grupos armados palestinos por “abusos dos direitos humanos internacionais... assassinatos ilegais” e pediu que “cessem o lançamento indiscriminado de projéteis”.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, Ajith Sunghay, chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos nos territórios palestinos ocupados, afirmou que o cessar-fogo não produziu uma “responsabilização significativa” nem “qualquer acerto de contas fundamental com a causa subjacente – a ocupação prolongada”.
Ao comentar a violência na Cisjordânia, Sunghay afirmou: “As forças militares e policiais israelenses, assim como os colonos, estão matando cada vez mais palestinos impunemente, muitas vezes em conjunto.”
Ele também advertiu que a ausência de responsabilização alimenta novos ciclos de violência. “A impunidade só alimenta a recorrência”, disse Sunghay. “A maioria dos horrores documentados aqui, e aqueles documentados décadas antes, ficaram impunes, sem qualquer perspectiva de justiça para as vítimas.”
O relatório amplia a pressão internacional sobre Israel ao vincular a continuidade da ofensiva em Gaza, o deslocamento de palestinos e a expansão da presença israelense na Cisjordânia a um quadro de violações sistemáticas. Para a ONU, a ausência de justiça para as vítimas e a permanência da ocupação seguem no centro da crise humanitária e política nos territórios palestinos.



