OPEP+ anuncia terceiro aumento da cota de petróleo desde fechamento de Ormuz
Grupo aprova novo aumento para junho, enquanto fechamento de Ormuz restringe exportações do Golfo e mantém pressão sobre os preços
247 - A OPEP+ aprovou neste domingo (3) um novo aumento nas metas de produção de petróleo para junho, em meio aos efeitos da guerra com o Irã e às restrições ao escoamento pelo Estreito de Ormuz. A decisão eleva formalmente a oferta do grupo, mas tende a ter impacto limitado no mercado físico enquanto persistirem os obstáculos às exportações do Golfo.
As informações foram publicadas originalmente pelo Valor Econômico. Segundo a reportagem, sete países da OPEP+ decidiram ampliar suas cotas em 188 mil barris por dia em junho, no terceiro aumento mensal consecutivo anunciado pela aliança.
Participaram da reunião online Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã. O acréscimo é equivalente ao aprovado para maio, descontada a parcela dos Emirados Árabes Unidos, que deixaram o grupo em 1º de maio.
Apesar do anúncio, a elevação deve ficar em grande parte restrita aos números oficiais. A guerra com o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, e o fechamento do Estreito de Ormuz reduziram a capacidade de exportação de produtores centrais da aliança, como Arábia Saudita, Iraque e Kuwait, além dos próprios Emirados Árabes Unidos.
Aumento tem efeito mais político que físico
A decisão da OPEP+ é interpretada por fontes e analistas como uma tentativa de mostrar ao mercado que o grupo mantém capacidade de coordenação e está pronto para ampliar a oferta quando as condições logísticas permitirem. Na prática, porém, a produção adicional dificilmente chegará integralmente ao mercado no curto prazo.
“A OPEP+ está enviando uma mensagem dupla ao mercado: continuidade apesar da saída dos Emirados Árabes Unidos e controle apesar do impacto físico limitado”, afirmou Jorge Leon, analista da Rystad e ex-funcionário da aliança.
Ele acrescentou: “Embora a produção esteja aumentando no papel, o impacto real na oferta física permanece muito limitado, dadas as restrições do Estreito de Ormuz. Trata-se menos de adicionar barris e mais de sinalizar que a OPEP+ ainda dá as cartas.”
Pelo acordo, a cota da Arábia Saudita, principal produtora da OPEP+, passará a 10,291 milhões de barris por dia em junho. O volume, no entanto, está muito acima da produção efetivamente registrada pelo país. Em março, o reino informou à OPEP produção real de 7,76 milhões de barris diários.
Ormuz segue como principal gargalo
Antes do conflito, os produtores do Golfo eram os principais membros da OPEP+ com capacidade de ampliar rapidamente a produção. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, essa margem perdeu efeito prático, já que parte relevante do petróleo da região depende da rota marítima para chegar ao mercado internacional.
Mesmo em caso de reabertura do tráfego no estreito, executivos do setor petrolífero do Golfo e operadores globais de petróleo avaliam que a normalização dos fluxos pode levar semanas ou até meses.
A interrupção nas exportações já provocou forte pressão sobre os preços. Segundo a reportagem, o barril superou US$ 125, atingindo o maior patamar em quatro anos. Analistas também passaram a prever risco de escassez mais ampla de combustível de aviação em um ou dois meses, além de aumento da inflação global.
Dados divulgados pela própria OPEP+ no mês passado mostram que a produção conjunta dos membros da aliança ficou em média em 35,06 milhões de barris por dia em março. O volume representa queda de 7,70 milhões de barris diários em relação a fevereiro, com os maiores cortes concentrados no Iraque e na Arábia Saudita, justamente por causa das restrições às exportações.
Com a saída dos Emirados Árabes Unidos, a OPEP+ passa a contar com 21 membros, incluindo o Irã. Nos últimos anos, porém, as decisões mensais sobre produção eram tomadas apenas por um núcleo reduzido formado pelos sete países reunidos neste domingo e pelos Emirados Árabes Unidos.
A próxima reunião dos sete membros da OPEP+ está marcada para 7 de junho.


