Petróleo dispara após nova ameaça de Trump ao Irã
Brent chegou a US$ 111,31 por barril em meio à escalada de tensão entre EUA, Irã e Israel
247 - O petróleo disparou nesta segunda-feira (18), em meio à escalada de tensão entre EUA, Irã e Israel, e o Brent chegou a US$ 111,31 por barril após nova ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao governo iraniano; as informações são do g1, com dados da Associated Press.
A alta reforça o temor dos investidores sobre o fluxo global de energia, em um cenário marcado pelo fechamento majoritário do Estreito de Ormuz, pelo bloqueio marítimo imposto pelos EUA aos portos iranianos e pelo agravamento da crise após um ataque de drone contra uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos.
O petróleo Brent, referência internacional, avançou 1,9% e atingiu US$ 111,31 por barril, o equivalente a cerca de R$ 563,76. O patamar representa forte salto em relação ao fim de fevereiro, antes do início da guerra com o Irã, quando a commodity era negociada em torno de US$ 70 por barril.
Nos Estados Unidos, o petróleo de referência também subiu com força. A cotação avançou 2,3%, para US$ 107,83 por barril, cerca de R$ 546,13.
A pressão sobre os preços ganhou força depois que Trump publicou em uma rede social, após ligação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que o Irã deve agir rapidamente “ou não sobrará nada deles”.
A declaração ampliou a percepção de risco nos mercados, já sensíveis às incertezas sobre a circulação de petróleo e outras fontes de energia pelo Golfo. O Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo, permanece majoritariamente fechado.
A Casa Branca afirmou que Trump e Netanyahu concordam que o Estreito de Ormuz deve ser reaberto.
Bolsas globais recuam com temor de inflação
A disparada nos custos de energia elevou as expectativas de inflação e pressionou as bolsas internacionais. Na Ásia, a maior parte dos mercados fechou em queda.
Em Tóquio, o índice Nikkei 225 caiu 0,9%, para 60.843,09 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,6%, aos 25.543,32 pontos. Em Xangai, o índice composto recuou 0,1%, também afetado por dados fracos do varejo chinês em abril. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 1,4%.
Em Nova York, os contratos futuros dos Estados Unidos recuaram mais de 0,6%. O movimento ocorreu após uma sexta-feira negativa em Wall Street, quando o S&P 500 caiu 1,2%, o Dow Jones perdeu 1,1% e o Nasdaq recuou 1,5%.
Alta do petróleo também pressiona juros e câmbio
A perspectiva de inflação mais alta, impulsionada pelo avanço do petróleo, também afetou o mercado de títulos públicos. O rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos subiu para cerca de 4,63%, bem acima do patamar próximo de 4% registrado antes da guerra.
No Japão, o rendimento dos títulos de 10 anos do governo chegou a 2,8%, o maior nível desde o fim dos anos 1990. O avanço foi atribuído às expectativas de inflação e ao processo gradual de elevação dos juros pelo Banco do Japão.
No câmbio, o dólar americano se fortaleceu e subiu para 159,02 ienes japoneses. O euro operou em leve alta, cotado a US$ 1,1626.
O quadro mantém os mercados globais em estado de cautela, enquanto investidores acompanham os desdobramentos da guerra com o Irã, as negociações sobre o Estreito de Ormuz e os efeitos da crise energética sobre inflação, juros e crescimento econômico.



