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Pezeshkian promete reformar economia do Irã em meio a protestos violentos

Durante a entrevista, o presidente afirmou que sua administração está “pronta para ouvir o povo”

Presidente do Irã Masoud Pezeshkian em Tianjin, na China (Foto: Iran's Presidential website/Divulgação via REUTERS)

247 - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, prometeu uma reformulação profunda da economia do país em meio a uma onda de protestos que se espalhou por diversas regiões e já deixou dezenas de mortos. Em discurso transmitido pela televisão estatal neste domingo (11), o chefe do Executivo afirmou que seu governo está disposto a ouvir a população, mas responsabilizou os Estados Unidos e Israel pelo agravamento da crise.

As informações foram divulgadas pela rede Al Jazeera, com base em dados de agências internacionais. Segundo a reportagem, Pezeshkian adotou um tom conciliador ao reconhecer a gravidade da situação econômica, ao mesmo tempo em que reforçou o discurso de segurança diante do avanço das manifestações.

Durante a entrevista, o presidente afirmou que sua administração está “pronta para ouvir o povo” e que a obrigação do governo é enfrentar os problemas estruturais do país. De acordo com a agência semioficial Tasnim, Pezeshkian declarou que cabe ao Estado “resolver os problemas, atender às preocupações da população e não permitir que vândalos desestabilizem o país”.

O presidente também fez um apelo direto às famílias iranianas. “Por isso, pedimos às famílias que não permitam que seus jovens se envolvam na agitação promovida por terroristas e vândalos”, afirmou.

Em outro trecho da entrevista, Pezeshkian procurou diferenciar manifestantes pacíficos de grupos envolvidos em confrontos violentos. “O inimigo trouxe terroristas treinados para dentro do país. Os vândalos não são manifestantes. Nós ouvimos os protestos legítimos e fizemos todo o possível para resolver os problemas das pessoas”, disse.

Ao abordar as promessas econômicas, o presidente afirmou que o objetivo central do governo é promover uma distribuição mais justa dos recursos nacionais. “Nossa meta é distribuir tudo o que temos de forma justa entre o povo, independentemente de partido, facção, etnia, raça ou mesmo da província, do dialeto ou da língua a que pertençam”, declarou.

A crise teve início no fim de dezembro, após uma forte desvalorização da moeda iraniana, resultado de anos de dificuldades econômicas agravadas por sanções internacionais. O colapso cambial provocou protestos inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida e pela inflação elevada, que posteriormente passaram a assumir um caráter mais político e de contestação direta ao governo.

Desde então, as manifestações se intensificaram e enfrentaram repressão das forças de segurança. Autoridades iranianas afirmam que mais de 100 agentes morreram durante os confrontos, enquanto o governo impôs restrições à internet em diversas regiões do país.

Pezeshkian voltou a acusar Washington e Tel Aviv de tentar “semear o caos e a desordem” ao estimular setores da instabilidade interna. Segundo ele, a população deve se afastar do que classificou como grupos violentos e terroristas. Apesar do discurso de abertura ao diálogo, o governo mantém uma postura firme diante das manifestações, enquanto o Irã atravessa um dos períodos mais delicados de sua recente história econômica e política.

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