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Trump diz que reunião com o “príncipe herdeiro” do Irã, Pahlavi, não seria apropriada

A postura do presidente dos EUA indica que ele espera para ver se os protestos conseguem desestabilizar o governo iraniano

O presidente dos EUA, Donald Trump - 18/12/2025 (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não demonstrou disposição para se encontrar com Reza Pahlavi, o príncipe herdeiro exilado e filho do falecido Xá do Irã, onde ocorrem manifestações contra o governo há pelo menos 12 dias seguidos, deixando mais de 60 mortos, apontaram contagens de organizações de direitos humanos atuando no país asiático. 

"Acho que deveríamos deixar todo mundo sair e ver quem surge", disse Trump ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt na quinta-feira (8). "Não tenho certeza se isso seria necessariamente uma coisa apropriada a fazer”.

O presidente Donald Trump disse, nos últimos dias, que haverá um "inferno a ser pago" se o movimento de protesto for reprimido. O relato saiu na Reuters. Até o momento, a postura do chefe da Casa Branca indica que ele está esperando para ver se os protestos conseguem desestabilizar o governo.

Os atos começaram no final de dezembro em Teerã por causa da crise econômica. A moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro. Mobilizações já aconteceram em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.

Irã reage

Nesta sexta (9), o governo iraniano acusou os EUA e Israel de colocar mercenários nas mobilizações generalizadas que tomaram as ruas do país nas últimas semanas.

Conforme a agência de notícias Tasnim, ligada ao governo iraniano e ao Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), "na noite passada, mercenários dos EUA e de Israel incendiaram o santuário sagrado de Hazrat Sabzghaba (irmão do imã Reza, que a paz esteja com ele). Também atearam fogo a vários bancos e mesquitas, causando grandes danos a bens públicos na cidade de Dezful".

O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, afirmou que “não haverá clemência para quem ajuda o inimigo contra a República Islâmica”. Ele acusou os Estados Unidos e Israel de tentarem desestabilizar o país.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, determinou na quarta-feira (7) que as forças de segurança diferenciem os manifestantes motivados pela situação econômica dos “desordeiros” que, de acordo com ele, atuam contra a segurança nacional. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, classificou os manifestantes como “nossos filhos” e defendeu o diálogo.

Relembre

O Irã é um dos principais rivais dos EUA na política internacional. Nos últimos anos, o governo estadunidense e potências aliadas voltaram a alertar para a hipótese do desenvolvimento de um programa nuclear. 

O governo iraniano nega e denuncia tentativa de o Ocidente interferir na soberania do país. O Irã também negou que pretende desenvolver armas nucleares e sustenta que seu programa é pacífico.

Outro interesse dos EUA é no petróleo. De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o Irã foi o sexto maior produtor em 2024, com 3,2 milhões de barris por dia. O Brasil foi o quinto (3,3 milhões). Os EUA ficaram em primeiro (13,2 milhões), seguidos por Arábia Saudita (8,9 milhões), China (4,2 milhões), e Iraque (3,8 milhões). 

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