Polícia Federal já tem o nome que vai substituir delegado que foi expulso dos EUA
Substituição ocorre em meio a tensões diplomáticas e investigações que envolveram monitoramento do ex-diretor da Abin
247 - A delegada da Polícia Federal Tatiana Alves Torres foi designada para assumir o posto anteriormente ocupado por um servidor brasileiro nos Estados Unidos, após a saída do delegado Marcelo Ivo do país. A mudança ocorre no contexto das repercussões envolvendo o caso do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
A nomeação de Tatiana foi oficializada em 17 de março, por meio de portaria assinada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e publicada no Diário Oficial da União. A missão terá duração de dois anos e prevê a atuação da delegada como oficial de ligação junto ao ICE, órgão responsável por questões migratórias e de segurança nos Estados Unidos.
Na prática, a função envolve a interlocução direta entre autoridades brasileiras e norte-americanas, com foco na troca de informações e no apoio a investigações conjuntas. Tatiana Alves Torres é delegada de carreira desde 2002, já ocupou a superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais e, mais recentemente, exercia a função de coordenadora-geral de Gestão de Processos da Diretoria de Gestão de Pessoas.
A substituição ocorre após a saída de Marcelo Ivo, que atuava como representante da Polícia Federal no exterior desde 2023. O movimento está diretamente ligado aos desdobramentos do caso envolvendo Alexandre Ramagem, que chegou a ser detido nos Estados Unidos.
O ex-deputado foi abordado inicialmente por uma infração de trânsito, mas acabou sendo preso por estar em situação migratória irregular. Segundo as informações, Ramagem estava com o visto de turista vencido desde março e havia ingressado no país utilizando um passaporte diplomático que já havia sido cancelado por determinação do Supremo Tribunal Federal.
Antes da prisão, o ex-diretor da Abin já vinha sendo monitorado por autoridades brasileiras e norte-americanas. De acordo com apuração, o acompanhamento começou ainda em novembro do ano passado e incluiu vigilância terrestre, rastreamento de veículo e reuniões entre o oficial de ligação da Polícia Federal e agentes dos Estados Unidos.
As investigações também buscam esclarecer a aquisição de um veículo por parte de Ramagem e seu possível uso em deslocamentos, como o trajeto até o aeroporto para buscar sua esposa. A partir dessas movimentações, a Polícia Federal teria identificado o paradeiro do ex-parlamentar e intensificado o monitoramento em campo.
Como regra, autoridades brasileiras não têm competência para efetuar prisões em território estrangeiro. Nesses casos, a Polícia Federal atua reunindo informações e compartilhando dados com as forças de segurança locais, responsáveis pela execução de eventuais detenções.
Ramagem foi liberado dois dias após a prisão. Segundo o empresário e apresentador Paulo Figueiredo, a soltura ocorreu após intensa articulação. “Foram três dias de muito trabalho, mas agora Ramagem já está em casa”, afirmou.
O episódio expõe a complexidade da cooperação internacional em investigações e levanta discussões sobre limites de atuação de autoridades nacionais no exterior, além de possíveis impactos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos.


