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Após expulsão de delegado da PF ligado ao caso Ramagem, Brasil estuda retaliar agentes dos EUA

O episódio surpreendeu o governo e mobilizou imediatamente o Itamaraty, que solicitou explicações oficiais

Alexandre Ramagem (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados )

247 - O governo brasileiro passou a considerar a expulsão de agentes norte-americanos que atuam no país como resposta ao pedido dos Estados Unidos para a retirada de um delegado da Polícia Federal envolvido no caso que levou à prisão do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. A informação foi revelada pela CNN, com base em fontes do próprio governo, e indica que a reação brasileira pode escalar caso não haja esclarecimentos formais por parte de Washington.

De acordo com a reportagem, a medida ganhou força dentro do Palácio do Planalto após autoridades brasileiras classificarem como insuficientes as justificativas apresentadas até agora pelos norte-americanos — limitadas a uma publicação em redes sociais. O episódio surpreendeu o governo e mobilizou imediatamente o Itamaraty, que solicitou explicações oficiais.

A controvérsia envolve o delegado Marcelo Ivo, que atuava nos Estados Unidos em cooperação com autoridades locais. Esse tipo de atuação é amparado por um memorando de entendimento entre os dois países, que permite a presença de agentes de segurança em território estrangeiro para fortalecer ações conjuntas. Segundo fontes diplomáticas, o acordo segue em vigor e teria sido renovado recentemente, em 2025.

A tensão teve início após o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos afirmar publicamente que solicitou a saída do delegado brasileiro. A justificativa apresentada foi de que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”.

Apesar da gravidade da acusação, o governo brasileiro afirma não ter recebido, até o momento, detalhes concretos que sustentem a decisão. Nos bastidores, a ausência de comunicação formal é vista como um fator que agrava a crise diplomática.

Diante desse cenário, o Brasil avalia diferentes caminhos. Entre eles, manter a cobrança por esclarecimentos, ignorar o episódio ou adotar medidas mais duras. A possibilidade mais provável, segundo fontes ouvidas, é a aplicação do princípio da reciprocidade — um dos pilares das relações internacionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou essa postura ao comentar o caso nesta terça-feira (21), pouco antes de deixar Hannover, na Alemanha. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, afirmou.

Na prática, a reciprocidade implicaria a expulsão de um agente norte-americano em atuação no Brasil, replicando a decisão tomada pelos Estados Unidos. A medida, embora comum em disputas diplomáticas, pode gerar impactos na cooperação bilateral em segurança pública, considerada estratégica por ambos os países.

Internamente, o governo brasileiro busca calibrar a resposta para evitar um desgaste maior nas relações com Washington, sem abrir mão de uma reação considerada proporcional. A evolução do caso dependerá, sobretudo, da disposição dos Estados Unidos em detalhar os motivos da decisão e, eventualmente, rever a medida.

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