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Por trás do tarifaço: Casa Branca aponta prejuízo aos EUA em acordos do Brasil com Índia e México

Relatório aponta perda de espaço de produtos norte-americanos no Brasil diante de México e Índia e cita impacto em setores estratégicos

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Rockland Community College em Suffern, Nova York, EUA, em 22 de maio de 2026 (Foto: REUTERS/Kylie Cooper)
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247 - A Casa Branca afirmou que acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia contribuíram para reduzir a presença de produtos dos Estados Unidos no mercado brasileiro, em um movimento que, segundo Washington, prejudica exportadores norte-americanos em setores considerados estratégicos, informa o UOL.

De acordo com relatório, a participação dos produtos dos Estados Unidos nas relações comerciais com o Brasil caiu de 22% para 11% entre 1998 e 2023. No mesmo período, os produtos mexicanos ampliaram sua fatia de 1,7% para 3,3%. Já a Índia passou de 3,2% para 6,7% entre 2004 e 2024.

O documento reconhece que a perda de espaço dos Estados Unidos no mercado brasileiro pode estar associada a diferentes fatores econômicos e comerciais. Ainda assim, sustenta que os acordos preferenciais firmados pelo Brasil com outros países tiveram papel relevante na redução da competitividade dos produtos norte-americanos.

“Embora essas tendências possam refletir outras dinâmicas de mercado e não possam ser atribuídas exclusivamente aos acordos comerciais preferenciais, esses acordos foram um fator-chave que contribuiu para a erosão da participação de mercado dos produtos americanos em setores-chave”, afirma o texto.

Um dos pontos de maior preocupação para Washington é o setor automotivo. Segundo o relatório, o Brasil importou cerca de US$ 1,8 bilhão em veículos automotores e autopeças do México, enquanto as compras dos mesmos segmentos vindas dos Estados Unidos somaram aproximadamente US$ 1 bilhão.

A avaliação norte-americana considera que esse resultado é especialmente desfavorável porque a produção dos Estados Unidos no setor automotivo é mais que o dobro da mexicana. Mesmo assim, o México teria sido beneficiado por condições tarifárias mais vantajosas nas exportações ao Brasil.

O relatório afirma que praticamente todas as importações brasileiras de veículos automotores e autopeças do México entraram no país sob classificações tarifárias isentas de taxas. Já os produtos equivalentes importados dos Estados Unidos foram submetidos a alíquotas de NMF, sigla para Nação Mais Favorecida, quase todas entre 14% e 35%.

A Casa Branca também avalia que as condições concedidas a México e Índia podem ser “irrazoáveis ou discriminatórias”. A crítica se concentra no fato de que as tarifas mais favoráveis atingem produtos nos quais esses países são competitivos, criando, na visão de Washington, uma desvantagem direta para empresas norte-americanas.

“Os atos, políticas e práticas do Brasil oneram ou restringem o comércio dos EUA porque resultam em tarifas significativamente mais altas sobre produtos concorrentes dos EUA e criam um forte incentivo para a deslocalização da produção dos EUA para o México ou a Índia”, diz o texto.

A avaliação aparece no contexto de uma investigação da Seção 301 dos Estados Unidos, mecanismo utilizado por Washington para examinar práticas comerciais de outros países consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. No caso brasileiro, o foco está nos efeitos dos acordos preferenciais sobre a competitividade dos produtos dos EUA no mercado nacional.

O relatório reforça a preocupação da Casa Branca com a perda de participação dos Estados Unidos em setores nos quais o país busca preservar influência comercial. Ao apontar México e Índia como beneficiários de condições mais favoráveis, Washington coloca as relações comerciais brasileiras sob maior pressão em um momento de disputa por mercados e cadeias produtivas globais.

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