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Trump tenta conciliar acenos a radicais e relação com Lula, dizem empresários

Empresários avaliam que Trump busca agradar ala republicana mais radical sem romper o diálogo diplomático com Lula

Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula (Foto: Reprodução/X/@FlavioBolsonaro | Ricardo Stuckert/PR)
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247 - A relação entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente Lula (PT) volta a atravessar um período de tensão, em meio a gestos políticos de Washington que repercutem diretamente no Brasil. Apesar do desgaste, empresários com interlocução na alta administração dos Estados Unidos avaliam que a relação entre Trump e Lula seguirá aberta, mesmo sob pressão da ala republicana mais radical, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas já estaria definida há mais de três meses. A avaliação de empresários é que a medida faz parte de uma nova fase da política norte-americana para a América Latina, marcada por maior pressão sobre governos e atores políticos da região.

A leitura desses interlocutores é que a relação construída entre Trump e Lula teria impedido que o anúncio fosse feito antes da visita do presidente brasileiro à Casa Branca, em maio. Na visão deles, o canal direto entre os dois chefes de Estado teria funcionado como fator de contenção em um momento sensível da diplomacia bilateral.

Foto com Flávio Bolsonaro é vista como gesto político

A divulgação, na semana passada, de uma foto do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Trump foi interpretada por esse grupo empresarial como uma concessão do presidente norte-americano ao núcleo mais duro do Partido Republicano dentro de seu governo. Esse setor, descrito como composto por falcões republicanos, teria interesse em influenciar o cenário político brasileiro.

De acordo com essa avaliação, o grupo seria representado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e buscaria criar situações favoráveis à família Bolsonaro no Brasil. A foto de Flávio Bolsonaro com Trump, acompanhada do anúncio relacionado à classificação das organizações, seria vista por esses interlocutores como uma forma de atuação indireta sobre o processo eleitoral brasileiro.

Empresários avaliam ainda que esse núcleo republicano nunca teria aceitado plenamente a aproximação entre Trump e Lula. Por isso, teria articulado para que Flávio Bolsonaro aparecesse ao lado do presidente norte-americano pouco antes da divulgação de uma decisão que já havia sido tomada anteriormente.

Trump teria feito aceno ao núcleo duro republicano

Na interpretação desses empresários, Trump estaria tentando equilibrar sua relação com Lula e, ao mesmo tempo, fazer gestos à ala mais radical de seu governo. A presença de Flávio Bolsonaro em uma foto com o presidente dos Estados Unidos teria servido a esse objetivo político, sem necessariamente romper a interlocução diplomática com o governo brasileiro.

A avaliação, no entanto, não é consensual. Um diplomata brasileiro discorda da tentativa de suavizar o episódio e afirma que a situação deve ser analisada com maior preocupação, sobretudo diante de uma nova medida unilateral do governo norte-americano contra o Brasil.

Investigação comercial eleva tensão com o Brasil

A nova fonte de desgaste é a conclusão de uma investigação comercial do governo Trump contra o Brasil. O procedimento inclui críticas ao Pix e apresenta a proposta de uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros, o que ampliaria a pressão econômica dos Estados Unidos sobre o país.

Para o diplomata brasileiro citado, o episódio coloca a relação bilateral em um patamar semelhante ao vivido quando Trump ameaçou impor um tarifaço ao Brasil sob o argumento de que Jair Bolsonaro (PL) estaria sendo perseguido pela Justiça brasileira.

Apesar dos canais de diálogo entre Lula e Trump, a sucessão de gestos políticos e comerciais vindos de Washington mantém a relação entre os dois governos em estado de alerta. A avaliação empresarial aposta na continuidade da interlocução, enquanto setores da diplomacia brasileira veem a ofensiva norte-americana como sinal de que a tensão permanece elevada.

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