Presidente iraniano afirma que não haverá negociações sobre mísseis balísticos
Produção de mísseis balísticos pelo Irã tensiona EUA e Israel
247 - A tensão entre Irã e EUA cresceu nesta terça-feira (23) depois que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã não aceitará incluir seu programa de mísseis balísticos em negociações com Washington, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu que o Irã concordou em permitir inspeções nucleares, versão rejeitada por autoridades iranianas.
As informações são da Al Jazeera. Segundo a emissora, o impasse ocorre em meio a uma rodada intensa de declarações diplomáticas, votações no Congresso dos Estados Unidos, discussões sobre o Estreito de Ormuz e negociações paralelas envolvendo Líbano e Israel.
Pezeshkian declarou que o programa de mísseis balísticos do Irã não será objeto de negociação com os Estados Unidos. A posição contraria expectativas de setores em Washington e Tel Aviv, que tentam ampliar o escopo de um eventual acordo para além da questão nuclear.
Trump, por sua vez, afirmou que não haverá mais bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz e sustentou que Teerã teria aceitado inspeções nucleares. O governo iraniano, no entanto, rejeitou essa interpretação, mantendo a disputa em torno dos termos de qualquer possível entendimento.
Congresso dos EUA avança contra retomada da guerra
No Senado dos Estados Unidos, controlado por maioria republicana, foi aprovado um projeto que exige autorização do Congresso antes de Trump retomar hostilidades contra o Irã. A medida foi aprovada por 50 votos a 48 e já havia passado pela Câmara dos Representantes no início do mês.
Apesar do impacto político, a resolução é vista em grande parte como simbólica. O texto determina que Trump retire as Forças Armadas dos Estados Unidos de hostilidades envolvendo o Irã, mas sua aplicação prática ainda deve enfrentar disputas jurídicas e políticas.
A organização Just Foreign Policy, com sede em Washington, classificou a votação como um “marco histórico antiguerra”. Gregory Meeks, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, afirmou que a medida tem caráter vinculante, “independentemente do que o presidente Trump diga”.
“Vou explorar todos os caminhos legais para garantir que o Executivo cumpra a vontade do Congresso”, declarou Meeks.
Estreito de Ormuz segue no centro da crise
O Estreito de Ormuz permanece como um dos pontos mais sensíveis da crise. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a passagem deve permanecer aberta para navegação segura e livre.
O governo de Omã anunciou a criação de um corredor marítimo temporário para embarcações que desejam transitar pela região. A medida ocorre após Trump declarar que não haverá mais bloqueio naval norte-americano no estreito.
Rubio também afirmou que as negociações sobre o Líbano serão mantidas separadas de qualquer acordo com o Irã, numa tentativa de evitar que diferentes frentes diplomáticas se contaminem em meio às tensões regionais.
ONU diz que cessar-fogo no sul do Líbano se mantém
A ONU informou que o cessar-fogo no sul do Líbano parece estar “em grande parte se mantendo”, embora forças de paz continuem observando atividades militares israelenses em terra e no ar.
Segundo o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, integrantes da Força Interina das Nações Unidas no Líbano observaram disparos intensos de metralhadoras do Exército israelense antes de três tiros realizados por um tanque israelense perto de Biyyada.
Dujarric afirmou ainda que forças de paz da ONU detectaram atividade de drones militares israelenses, aparentemente voltada ao monitoramento da própria missão da ONU.
O episódio ocorreu depois de os capacetes azuis relatarem que domingo foi o primeiro dia sem troca de tiros desde a escalada dos combates entre Israel e Hezbollah em 2 de março. No sábado anterior, a missão havia registrado múltiplos ataques aéreos e 451 incidentes de disparos atribuídos às forças israelenses, além de 20 trajetórias atribuídas ao Hezbollah.
A ONU pediu que todas as partes “cumpram plenamente o cessar-fogo e se abstenham de qualquer escalada, particularmente durante este período delicado de negociações em andamento”.



