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Putin e Xi preparam encontro em que será inaugurada nova fase da parceria Rússia-China

Encontro entre Putin e Xi deve tratar de energia, comércio, indústria, transporte e nova ordem multipolar

Vladimir Putin e Xi Jinping (Foto: Xinhua)
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247 - O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping, discutirão uma nova fase da parceria Rússia-China em encontro na China, com foco em energia, comércio, indústria, transporte e na defesa de uma ordem multipolar, segundo informações da Sputnik.

De acordo com o assessor do Kremlin Yury Ushakov, citado pela Sputnik, Putin fará uma visita oficial à China nos dias 19 e 20 de maio, a convite de Xi Jinping, e participará de negociações em formatos restrito e ampliado.

A agenda começará após a cerimônia de boas-vindas na Assembleia Popular, em Pequim. Segundo Ushakov, o primeiro encontro entre os dois líderes terá formato restrito e será dedicado aos temas mais importantes e sensíveis da relação bilateral.

“Após a cerimônia de boas-vindas, o encontro do nosso presidente com Xi terá início na Assembleia Popular. Esta reunião está sendo realizada em formato restrito, durante a qual está previsto discutir as questões mais importantes e sensíveis das relações bilaterais entre nossos países”, disse Ushakov.

Na sequência, as negociações passarão ao formato ampliado. O assessor do Kremlin afirmou que a delegação russa será composta por 39 integrantes, incluindo autoridades de alto escalão, ministros, representantes de empresas estatais e chefes regionais.

A comitiva de Putin incluirá o primeiro vice-primeiro-ministro Denis Manturov, os vice-primeiros-ministros Tatyana Golikova, Dmitry Chernyshenko, Alexander Novak e Yuri Trutnev, além de oito ministros, a presidente do Banco Central da Rússia, dirigentes de corporações estatais e lideranças regionais.

Energia e Força da Sibéria-2 estarão no centro da agenda

A cooperação energética será um dos eixos centrais da visita. Ushakov afirmou que Putin e Xi discutirão em detalhes a parceria no setor de hidrocarbonetos, tema estratégico para Moscou e Pequim em meio ao aprofundamento das relações econômicas entre os dois países.

“Não vou divulgar os detalhes agora, mas acredito que este assunto será discutido em grande detalhe entre os líderes, com a participação de representantes diretos envolvidos em todos esses projetos”, declarou Ushakov, ao responder sobre eventuais acordos na área de hidrocarbonetos.

O projeto Força da Sibéria-2 também estará na pauta. A iniciativa é tratada por Moscou como parte relevante da cooperação energética com a China. Segundo o assessor do Kremlin, o setor de energia segue como motor da parceria econômica bilateral.

“Como todos sabem, o motor da cooperação econômica é a nossa parceria no setor energético. Em meio à crise no Oriente Médio, a Rússia continua a desempenhar o seu papel como fornecedora confiável, enquanto a China permanece uma consumidora responsável de recursos energéticos. Gostaria de destacar que, no primeiro trimestre deste ano, o nosso fornecimento de petróleo aos consumidores chineses aumentou em mais de um terço, 35%, ou 31 milhões de toneladas”, afirmou.

Cerca de 40 documentos devem ser assinados

A visita também deve resultar na assinatura de cerca de 40 documentos voltados ao aprofundamento dos laços entre Rússia e China. Segundo Ushakov, os acordos envolverão áreas como indústria, transporte e energia nuclear.

Entre os documentos previstos está uma declaração conjunta sobre a formação de um mundo multipolar e de um novo tipo de relações internacionais. O Kremlin também espera a assinatura de uma declaração sobre o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países.

“Está previsto que Vladimir Putin e Xi Jinping adotem outro documento, eu diria, conceitual — uma declaração conjunta sobre a formação de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais”, disse Ushakov.

Após as negociações, Putin e Xi Jinping devem fazer declarações públicas à imprensa. O presidente russo também será recebido pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em cerimônia solene prevista para ocorrer no aeroporto.

Conversas informais terão importância especial

Além das reuniões oficiais, Putin e Xi Jinping terão uma conversa informal em 20 de maio para discutir temas da agenda internacional. O Kremlin atribui importância especial a esse formato, por considerar que ele permite aos líderes tratar dos assuntos de maneira aberta e confidencial.

Ushakov afirmou que toda a gama das relações bilaterais será discutida durante a visita. Segundo ele, o resultado esperado é o fortalecimento de “todo o complexo de relações multifacetadas” entre Moscou e Pequim.

“Toda a gama de relações bilaterais será discutida durante a próxima visita oficial”, afirmou o assessor.

A viagem ocorre no contexto do 25º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa entre Rússia e China. Para o Kremlin, os laços entre os dois países têm caráter estabilizador no cenário internacional.

“Nossos laços estreitos entre Rússia e China são particularmente importantes no atual contexto internacional, pois têm um caráter estabilizador”, disse Ushakov, ao mencionar a coordenação entre os dois países na ONU, no BRICS, no G20 e em outras plataformas multilaterais.

Moscou e Pequim destacam comércio em moedas nacionais

O assessor do Kremlin afirmou que Rússia e China são importantes parceiros comerciais uma da outra. Ele destacou que as medidas para converter as transações bilaterais para moedas nacionais contribuíram para o crescimento do comércio entre os dois países.

Segundo Ushakov, quase todas as operações de importação e exportação no comércio bilateral são feitas em rublos e yuans. Ele também afirmou que Moscou e Pequim construíram um sistema estável de comércio mútuo, protegido da influência de terceiros países e de tendências negativas nos mercados globais.

“As relações entre a Rússia e a China estão se desenvolvendo ativamente e atingiram um nível sem precedentes. Essas relações têm a natureza de uma parceria abrangente e de cooperação estratégica”, declarou.

Ushakov também afirmou que os dois países não cooperam contra terceiros e que ambos seguem comprometidos com políticas independentes e autônomas.

Encontro com Li Qiang tratará de comércio

Durante a visita a Pequim, Putin também se reunirá com o presidente do Conselho de Estado da China, Li Qiang. Segundo o Kremlin, a conversa terá como foco comércio e cooperação econômica.

“Vladimir Vladimirovich Putin se reunirá com o primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, Li Qiang, durante a qual, naturalmente, serão discutidos principalmente assuntos relacionados ao comércio e à cooperação econômica”, afirmou Ushakov.

O assessor disse ainda que, em vez do tradicional artigo de Putin na imprensa chinesa antes da visita, será publicada uma mensagem em vídeo do presidente russo.

Kremlin descarta ligação com visita de Donald Trump

Ushakov negou que haja ligação entre a visita de Putin à China e a viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país. Segundo ele, as datas da viagem do líder russo foram acertadas previamente entre Moscou e Pequim.

“Não há nenhuma ligação entre a visita de Trump e a visita de Putin; normalmente, combinamos um plano de negociações com os chineses com antecedência”, declarou.

O assessor afirmou que as datas foram aprovadas após uma conversa por videoconferência entre Putin e Xi Jinping em fevereiro.

Ushakov também comentou a próxima viagem do ministro russo do Trabalho e da Proteção Social, Anton Kotyakov, a Nova York, onde ele liderará a delegação russa na conferência sobre os direitos das pessoas com deficiência, prevista para os dias 9 a 11 de junho.

“Para ser honesto, não sei nada sobre essa viagem, não conheço esse assunto. Mas... essas viagens... não têm nada a ver com uma mudança radical no sistema de relações entre os dois países, não significam nada. Mas todos os contatos são muito úteis”, afirmou.

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