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Quem é Andy Burnham, favorito para liderar o Reino Unido após a renúncia de Keir Starmer

Ex-prefeito de Manchester e novo deputado trabalhista desponta como favorito para assumir a liderança do Partido Trabalhista britânico

Andy Burnham (Foto: Andy Burnham)
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247 - A renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro e à liderança do Partido Trabalhista abriu uma nova disputa pelo comando político do Reino Unido. Entre os nomes que surgem com mais força para assumir a chefia da legenda e, consequentemente, do governo britânico, está Andy Burnham, político veterano que construiu sua trajetória longe dos corredores de Westminster e se tornou uma das figuras mais populares da política inglesa.

Segundo reportagem do The New York Times, Burnham chega ao momento mais importante de sua carreira após conquistar uma vitória expressiva em uma eleição parlamentar suplementar e retornar à Câmara dos Comuns representando o distrito de Makerfield, no noroeste da Inglaterra.

Conhecido por seu estilo comunicativo, carisma e proximidade com os eleitores, Burnham passou nove anos à frente da prefeitura da Grande Manchester. Durante esse período, consolidou uma imagem de defensor das regiões do norte da Inglaterra e ganhou projeção nacional, especialmente durante a pandemia de Covid-19, quando confrontou publicamente o governo central em defesa de sua região.

Seus apoiadores acreditam que ele pode revitalizar o Partido Trabalhista em um cenário de crescente pressão do Reform UK, legenda populista de direita liderada por Nigel Farage. Já seus críticos argumentam que Burnham enfrentaria os mesmos obstáculos econômicos e políticos que dificultaram a gestão de Starmer, além de ter demonstrado flexibilidade ideológica ao longo de sua carreira.

Da região de Liverpool ao centro da política britânica

Nascido em Liverpool, em 1970, Andy Burnham cresceu em Culcheth, no condado de Cheshire. Filho de um técnico de telefonia e de uma recepcionista de consultório médico, estudou em escolas católicas e posteriormente ingressou na Universidade de Cambridge, onde cursou Literatura Inglesa.

Sua formação religiosa continua sendo um aspecto importante de sua trajetória pessoal. Em 2023, após uma visita ao Vaticano, comentou sobre sua relação com a fé: “Minha mãe estava comigo e, embora eu não seja católico no sentido mais completo da palavra, senti a atração magnética do Vaticano.”

Na mesma ocasião, comparou sua identidade religiosa à paixão pelo Everton, clube de futebol que apoia desde a infância:

“[Mesmo que você deixe de ir aos jogos] continua sendo torcedor do Everton; você pode parar de ir à igreja, mas continua sendo católico.”

Em Cambridge, conheceu Marie-France Van Heel, natural dos Países Baixos, com quem se casou e teve três filhos.

Ascensão no Partido Trabalhista

Após trabalhar como pesquisador parlamentar e assessor político, Burnham foi eleito deputado em 2001 pelo distrito de Leigh, próximo à região onde cresceu. Rapidamente ascendeu dentro dos governos trabalhistas liderados por Tony Blair e Gordon Brown.

Ao longo dos anos, ocupou cargos relevantes, incluindo secretário-chefe do Tesouro, secretário de Cultura, Mídia e Esportes e secretário da Saúde.

Depois da derrota trabalhista nas eleições gerais de 2010, disputou pela primeira vez a liderança do partido, mas terminou em quarto lugar. Em 2015 voltou a concorrer, chegando a ser apontado como favorito, porém foi derrotado por Jeremy Corbyn.

O impacto do desastre de Hillsborough

Um dos momentos mais marcantes de sua carreira ocorreu em 2009, durante uma cerimônia em memória das vítimas do desastre de Hillsborough, tragédia que matou 97 torcedores do Liverpool FC.

Na ocasião, Burnham foi vaiado por parte do público, episódio que o levou a aprofundar seu envolvimento na luta por justiça para as famílias das vítimas. Ele passou a pressionar por uma nova investigação sobre o caso, contribuindo para reabrir o debate público sobre as responsabilidades pela tragédia.

O “rei do Norte”

Em 2017, Burnham decidiu deixar o Parlamento para disputar a prefeitura da Grande Manchester. A aposta se mostrou decisiva para sua projeção nacional.

Durante sua gestão, liderou reformas no sistema de transporte público, ampliou o controle municipal sobre os ônibus da região e assumiu uma postura combativa diante de interesses empresariais.

Para Robert Ford, professor de política da Universidade de Manchester, uma das principais qualidades de Burnham é sua capacidade de comunicação.

“Sua grande força é ser um comunicador muito eficaz, um contador de histórias muito eficiente; ele é bom em transmitir aos eleitores quem ele é, quem ele representa e o que está tentando fazer.”

Ford destacou ainda que Burnham transformou debates técnicos em causas populares e compreensíveis para o eleitorado.

O político também ganhou notoriedade nacional durante a pandemia ao criticar medidas de lockdown impostas pelo governo central, argumentando que elas penalizavam de forma desproporcional as regiões do norte da Inglaterra.

Sua atuação lhe rendeu o apelido de “rei do Norte”, refletindo a imagem de liderança regional construída ao longo dos anos.

Estilo político diferente de Starmer

Aliados apontam que Burnham apresenta um perfil bastante distinto do de Keir Starmer. O ex-assessor de Tony Blair, John McTernan, destacou o otimismo do político trabalhista: “Ele é simplesmente otimista, alegre e parece gostar de ser político.”

McTernan acrescentou: “Os líderes ou inspiram você, ou o deixam um pouco deprimido.”

Apesar da popularidade, Burnham também enfrenta questionamentos. Adversários o acusam de adaptar suas posições políticas conforme as circunstâncias, lembrando que trabalhou sob lideranças tão diferentes quanto Tony Blair, Gordon Brown e Jeremy Corbyn.

Nos últimos anos, também foi alvo de críticas por declarações relacionadas à política econômica britânica. Embora tenha buscado posteriormente esclarecer algumas de suas posições, especialistas avaliam que a transição da política regional para o comando nacional exigirá maior cautela em suas manifestações públicas.

Desafio de governar o Reino Unido

Embora tenha acumulado experiência administrativa em Manchester, analistas ressaltam que liderar o governo britânico representa um desafio muito maior.

Segundo Robert Ford, a rotina de Downing Street exige lidar simultaneamente com uma ampla variedade de crises e temas nacionais e internacionais. “É muito diferente quando você navega para a tempestade de Downing Street, onde haverá 150 assuntos sobre sua mesa todos os dias.”

O professor acrescentou: “Você não tem muito controle sobre quais deles escolher para travar disputas e não tem tempo para refletir.”

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