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Republicanos barram no Congresso tentativa de limitar poderes de guerra de Trump contra o Irã

Bloqueio no Congresso impede avanço de resolução democrata para restringir ações militares dos EUA

O Capitólio dos EUA em Washington, EUA 10 de setembro de 2020 REUTERS/Joshua Roberts (Foto: REUTERS/Joshua Roberts)

247 - O bloqueio republicano à tentativa de limitar os poderes de guerra de Donald Trump contra o Irã intensificou a disputa política em Washington e elevou o tom das críticas democratas ao presidente dos Estados Unidos. A decisão impede, ao menos temporariamente, o avanço de uma resolução que buscava restringir as ações militares dos EUA no conflito, ampliando o embate institucional em meio à escalada de tensões internacionais.

A informação foi divulgada pela agência Reuters, que relatou que republicanos da Câmara dos Representantes barraram uma iniciativa democrata para interromper os ataques ao Irã. A manobra ocorreu durante uma sessão “pro forma” conduzida pelo deputado republicano Chris Smith, que encerrou rapidamente os trabalhos antes que parlamentares oposicionistas pudessem apresentar a proposta por unanimidade.

Embora o movimento tenha caráter simbólico, lideranças democratas afirmaram que pretendem retomar o tema assim que o Congresso retornar do recesso. Nos últimos meses, parlamentares do partido vêm tentando, sem sucesso, aprovar medidas que obriguem o presidente a obter autorização legislativa antes de iniciar operações militares, tanto no Irã quanto em outros países.

A escalada do conflito ganhou novos contornos após declarações recentes de Trump, que elevaram a preocupação entre democratas. A deputada Sara Jacobs criticou o tom adotado pelo presidente ao afirmar: "Ameaçar com genocídio não é uma tática de negociação". A fala ocorreu após Trump advertir que uma civilização inteira poderia ser destruída, o que gerou reações no Congresso e alimentou debates sobre os limites do uso da força.

Apesar das críticas, a Casa Branca sustenta que as ações do presidente são legais e estão dentro de suas prerrogativas como comandante-em-chefe das Forças Armadas, especialmente em operações consideradas limitadas ou em resposta a ameaças imediatas.

O episódio também reacendeu discussões sobre a possibilidade de impeachment. Democratas passaram a mencionar abertamente a hipótese, algo que vinha sendo evitado desde o início do atual mandato de Trump, iniciado em janeiro de 2025. A deputada Madeleine Dean afirmou: "É um dispositivo constitucional para conter um presidente inescrupuloso e imprudente", acrescentando que haveria uma lista de condutas passíveis de investigação.

A tensão política ocorre em um cenário mais amplo de críticas ao governo, que incluem decisões sobre política externa, comércio e atuação militar. Durante seu mandato, Trump também fez declarações sobre possíveis ações em regiões estratégicas, como a Groenlândia, e sobre a participação dos EUA na OTAN.

Além da disputa institucional, democratas tentam associar o conflito com o Irã ao aumento do custo de vida nos Estados Unidos. A instabilidade no fornecimento de petróleo e gás natural elevou os preços de combustíveis e insumos agrícolas, impactando a economia doméstica. O deputado James Walkinshaw criticou os gastos militares ao afirmar: "Estamos gastando milhões de dólares em mísseis Patriot para interceptar drones que o Irã lança de uma caminhonete e que custam US$ 10 mil ou US$ 20 mil", enquanto, segundo ele, milhares de americanos perderam acesso ao seguro de saúde.

Com maioria apertada no Congresso, os republicanos seguem apoiando amplamente as políticas do presidente, dificultando iniciativas da oposição. Ainda assim, a promessa de novas votações sobre os poderes de guerra indica que o embate deve continuar nas próximas semanas, mantendo o tema no centro do debate político nos Estados Unidos.

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