Rússia classifica como genocídio bloqueio energético dos EUA contra Cuba
Encontro em Moscou reuniu autoridades russas e o chanceler cubano Bruno Rodríguez
247 - A Rússia voltou a condenar com dureza o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba, classificando as restrições energéticas como uma forma de genocídio e reafirmando apoio político à ilha caribenha. A declaração foi feita durante reunião no Senado russo com o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, em visita de trabalho a Moscou.
As informações foram publicadas pela agência Prensa Latina, que relatou detalhes do encontro realizado na sede do Conselho da Federação, a câmara alta do Parlamento russo, onde autoridades locais expressaram solidariedade a Cuba e defenderam o fortalecimento da cooperação bilateral.Durante a recepção, a presidenta do Conselho, Valentina Matvienko, destacou a preocupação de Moscou com a situação cubana. “Continuamos acompanhando com preocupação o que está acontecendo em Cuba”, afirmou, ao comentar os impactos das sanções norte-americanas sobre o país.
Na sequência, ela fez críticas diretas às medidas adotadas por Washington e afirmou que não há justificativa para a política de pressão econômica contra Havana. “Nós nos opomos firmemente às ações ilegais dos Estados Unidos. Não há justificativa para a agressão contra Cuba. Tais tentativas de mudar o regime e o poder são ações grosseiras e ilegais que toda pessoa sensata condena”, declarou.O representante russo também citou a mais recente resolução aprovada nas Nações Unidas como respaldo internacional às críticas contra o bloqueio. “Isso é confirmado pela mais recente resolução das Nações Unidas que condena o bloqueio e as sanções”, acrescentou.
Matviyenko defendeu que a maioria mundial deve apoiar Cuba e lembrou que o Conselho da Federação publica anualmente uma declaração pedindo o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro aplicado pelos Estados Unidos há cerca de sete décadas. Ela também manifestou disposição do Parlamento russo em ampliar a cooperação entre os dois países em todas as áreas.
O encontro, de acordo com a dirigente da câmara alta, serviu para reforçar a solidariedade ao povo cubano. “Esta visita é de particular importância e tem um caráter prático”, observou, ressaltando que a reunião com o chanceler cubano abriu espaço para reiterar apoio à soberania e à independência de Cuba.
O chanceler Bruno Rodríguez, que é também membro do Birô Político do Partido Comunista de Cuba, também reafirmou que o país seguirá defendendo o direito internacional e atuando em favor da paz e da cooperação multilateral.
Nesse contexto, o chanceler denunciou o agravamento das restrições energéticas impostas a Cuba, a partir de uma ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ampliou as medidas coercitivas e busca sufocar economicamente o país. “Os cubanos hoje enfrentam com determinação o bloqueio energético intensificado, provocado pela ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que fortalece as medidas coercitivas contra Havana e visa sufocar economicamente o país”, afirmou.Rodríguez também destacou a posição do governo cubano diante da ofensiva econômica estadunidense e reiterou que o país mantém disposição para o diálogo, desde que em condições de igualdade. “Defenderemos nossa soberania e independência e estaremos sempre dispostos a dialogar em pé de igualdade com qualquer Estado”, declarou.
O ministro ainda avaliou como relevantes os encontros realizados ao longo da visita com autoridades políticas, parlamentares e governamentais da Rússia, classificando as reuniões como estratégicas para Cuba em meio às dificuldades impostas pelo bloqueio.
Antes da audiência no Senado, Bruno Rodríguez se reuniu com o presidente do Partido Comunista da Federação Russa, Gennady Zyuganov, que reafirmou o apoio do partido à ilha diante do ataque econômico vindo da Casa Branca.
No encerramento do último dia de compromissos em Moscou, o chanceler cubano também se encontrou com integrantes da missão estatal de Cuba na capital russa. No encontro, foram discutidos o cenário atual do país e os desafios que devem ser enfrentados para contribuir com o desenvolvimento econômico, político e social da nação caribenha.


