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Rússia reafirma apoio à soberania de Cuba

Putin diz que Moscou seguirá ao lado de Havana diante de sanções

O presidente Putin recebe o chanceler cubano Bruno Rodríguez no Kremlin (Foto: Chancelaria cubana/Granma)

247 - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reafirmou nesta terça-feira (18) o apoio do governo russo à defesa da soberania e da independência de Cuba, em meio ao endurecimento de sanções e pressões externas contra a ilha. A declaração ocorreu durante encontro no Kremlin com o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, que cumpre agenda oficial em Moscou.

As informações foram divulgadas pela agência Prensa Latina, que acompanha a visita da delegação cubana à Rússia e a mobilização internacional crescente em defesa de Cuba diante do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.Durante a reunião, Putin destacou a longa trajetória de cooperação entre Moscou e Havana e sublinhou que a Rússia sempre esteve ao lado do povo cubano em sua luta histórica pela autodeterminação. “Sempre estivemos ao lado de Cuba em sua luta pela independência, pelo direito de trilhar seu próprio caminho de desenvolvimento, e sempre apoiamos o povo cubano”, afirmou o presidente russo.

Putin também reconheceu os desafios enfrentados por Cuba ao longo de mais de seis décadas de resistência às pressões externas e apontou que a sociedade russa compreende o peso dessas dificuldades. Segundo ele, Havana tem sido obrigada a defender sua soberania “lutando por seu direito de viver de acordo com suas próprias regras e defender seus interesses nacionais”.

Em referência direta ao atual cenário internacional, Putin condenou novas medidas coercitivas e deixou claro que Moscou não aceitará ações desse tipo. “Estamos num período especial, com novas sanções. Vocês já sabem o que pensamos sobre isso. Não aceitaremos nada desse tipo”, declarou.O presidente russo também afirmou que as relações bilaterais seguem em trajetória positiva e lembrou que 2026 marcará o centenário do nascimento do líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro (1926-2016). “Celebraremos juntos”, disse Putin.

As declarações do presidente russo representam um gesto político relevante em defesa de Cuba e reforçam a percepção de que a ilha não está isolada diante das pressões impostas por Washington. Em um momento de intensificação do bloqueio econômico, a reafirmação de apoio por parte de uma potência global tem forte peso simbólico e diplomático, fortalecendo a resistência cubana e a luta pelo direito de decidir seu próprio destino.

Cuba agradece apoio russo 

Durante o encontro, Bruno Rodríguez expressou gratidão ao governo russo pelo respaldo “sólido e inabalável”, especialmente no contexto do endurecimento do bloqueio e do embargo energético, que têm imposto dificuldades severas à economia cubana e ao cotidiano da população.

“Nossas relações são baseadas em uma parceria estratégica, especialmente nestes tempos que Cuba está atravessando. Temos trabalhado lado a lado há anos. Nossos projetos estão progredindo bem e avançando em benefício do nosso povo”, afirmou o chanceler cubano, que também integra o Bureau Político do Partido Comunista de Cuba (PCC).

Rodríguez aproveitou a oportunidade para transmitir saudações do general do Exército Raúl Castro e do presidente cubano Miguel Díaz-Canel, reafirmando o caráter estratégico da parceria entre os dois países.

Lavrov denuncia bloqueio 

Antes do encontro com Putin, Bruno Rodríguez se reuniu com o chanceler russo Sergey Lavrov, que reiterou o compromisso da Rússia com o apoio irrestrito a Cuba diante do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

Lavrov afirmou que Moscou, juntamente com a maioria da comunidade internacional, exige responsabilidade de Washington e rejeita qualquer tentativa de escalada contra a ilha. “Juntamente com a maioria dos membros da comunidade internacional, apelamos aos Estados Unidos para que demonstrem bom senso e uma abordagem responsável e se abstenham dos planos de bloqueio naval da Ilha da Liberdade”, disse o ministro russo.

Lavrov também criticou acusações contra a cooperação entre Rússia e Cuba e defendeu que conflitos internacionais devem ser resolvidos por meio de diálogo respeitoso.

Delegação cubana 

A visita do chanceler cubano integra uma agenda mais ampla de articulação política e diplomática. Rodríguez também manteve encontros com Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança e dirigente do partido Rússia Unida; com Ivan Melnikov, primeiro vice-presidente da Duma Estatal; e com Dmitry Chernyshenko, vice-primeiro-ministro e copresidente da Comissão Intergovernamental Rússia-Cuba.

A delegação cubana chegou a Moscou em 17 de fevereiro e seguirá com compromissos até quinta-feira, acompanhada por autoridades como o vice-primeiro-ministro e ministro do Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva, e o vice-ministro das Forças Armadas Revolucionárias, general Roberto Legrá.

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