Lavrov acusa pressão para expulsar empresas russas da Venezuela após ação dos EUA
Chanceler russo diz que sanções e tarifas buscam bloquear petróleo russo e afastar companhias do país sul-americano
247 - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que há uma ofensiva internacional para retirar empresas russas da Venezuela, intensificada após a ação militar conduzida pelos Estados Unidos em janeiro. A declaração foi feita em entrevista à RT, na qual o chanceler comentou o impacto das sanções norte-americanas e as tentativas de limitar a atuação russa no setor energético global.
Ao tratar das restrições impostas por Washington, Lavrov destacou que as medidas vão além das empresas russas e atingem também países que mantêm relações comerciais com Moscou. “Neste momento, como sabem, estão introduzidas tarifas contra os países que compram recursos energéticos da Rússia”, afirmou, citando a Índia como exemplo. Segundo ele, o objetivo é criar um bloqueio amplo ao petróleo e ao gás russos, abrindo espaço para a expansão das exportações energéticas dos Estados Unidos.
O chanceler relacionou esse cenário às sanções aplicadas às grandes petrolíferas russas Lukoil e Rosneft, classificadas por ele como “muito severas”. Lavrov ressaltou que as punições foram anunciadas poucas semanas após reuniões diplomáticas de alto nível entre Moscou e Washington. “As sanções permanecem em vigor. Além disso, novas sanções, muito severas, foram impostas pela primeira vez contra nossas maiores empresas petrolíferas, Lukoil e Rosneft”, declarou.
No mesmo contexto, Lavrov comentou a agressão militar realizada pelos Estados Unidos em território venezuelano no dia 3 de janeiro, sob a alegação de combate ao narcoterrorismo. A operação atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, afetando áreas de interesse militar e também regiões urbanas, com registro de vítimas civis. O governo venezuelano classificou a ação como uma “grave agressão militar” e denunciou a tentativa de controlar recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais.
A operação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova York, fato que provocou reações internacionais. Rússia e China, entre outros países, exigiram a libertação do chefe de Estado venezuelano. O Ministério das Relações Exteriores russo defendeu que a Venezuela tenha assegurado o direito de decidir seu próprio destino, sem qualquer forma de intervenção externa.
Lavrov também abordou a política dos Estados Unidos em relação ao Caribe, mencionando a declaração de estado de emergência norte-americana baseada em uma suposta ameaça representada por Cuba. “Um documento sobre Cuba foi recentemente adotado (...) declarando estado de emergência devido à ameaça que Cuba representa para os interesses dos EUA no Caribe, inclusive por meio das ‘políticas hostis e maliciosas’ da Rússia”, disse o ministro.
Ao comentar a estratégia energética de Washington, Lavrov observou que as tarifas e sanções estão sendo usadas de forma simultânea contra países consumidores de energia russa. “A Índia está proibida de comprar petróleo russo. Todos estão proibidos de comprá-lo. Tanto o petróleo quanto o gás estão sendo proibidos, e por toda parte dizem: o petróleo e o gás russos serão substituídos por petróleo e gás natural liquefeito americanos”, afirmou.
Por fim, o chanceler avaliou que esse conjunto de medidas contradiz discursos sobre cooperação econômica e investimentos de longo prazo, ao impor restrições que redesenham à força o mercado global de energia e impactam diretamente países como a Venezuela, que mantêm parcerias estratégicas com a Rússia.


