HOME > Mundo

Rússia condena ataque israelense ao Líbano

Bombardeios deixaram mais de 250 mortos e cerca de 1.100 feridos

Fumaça sobe após uma explosão no bairro Abbasiyeh, após um ataque israelense, em Tiro, Líbano, em 8 de abril de 2026 (Foto: REUTERS/Adnan Abidi)

247 - A Rússia criticou duramente o ataque de Israel ao Líbano após o início do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, alertando que a ofensiva pode ampliar a instabilidade no Oriente Médio e comprometer negociações diplomáticas. O episódio ocorreu poucos dias após o anúncio de uma trégua temporária, aumentando as tensões na região.

Segundo a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia Maria Zakharova, Moscou condena a operação militar israelense realizada na quarta-feira (8), que teria causado elevado número de vítimas civis.

De acordo com autoridades libanesas citadas pela diplomacia russa, os bombardeios — classificados como “sem precedentes” — atingiram Beirute e outras áreas, deixando mais de 250 mortos e cerca de 1.100 feridos. Zakharova expressou solidariedade às vítimas: “Expressamos nossas mais sinceras condolências aos familiares e entes queridos das vítimas e desejamos uma rápida recuperação aos feridos”.

A porta-voz destacou ainda o momento do ataque, afirmando que ele ocorreu “praticamente imediatamente” após a entrada em vigor do acordo entre Washington e Teerã, que previa uma trégua de duas semanas após 39 dias consecutivos de confrontos. Para Moscou, a ofensiva ameaça diretamente qualquer avanço diplomático e eleva o risco de uma escalada militar de grandes proporções no Oriente Médio.

Diante do cenário, a Rússia defendeu a interrupção imediata das hostilidades e a retomada do diálogo político. Zakharova reiterou o apoio de Moscou à “soberania, independência, unidade e integridade territorial” do Líbano, além de manifestar disposição para cooperar com atores regionais e internacionais em busca de uma “estabilização sustentável”.

O contexto da trégua também permanece incerto. O acordo foi mediado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que afirmou que o cessar-fogo incluiria o território libanês. No entanto, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contestou essa interpretação. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Líbano não faria parte do acordo.

A escalada recente também teve impacto econômico. Em meio às dúvidas sobre a efetividade do cessar-fogo, o preço do petróleo voltou a subir significativamente. O barril do tipo WTI registrou alta superior a 7,5%, ultrapassando os 101 dólares, enquanto o Brent avançou cerca de 4%, aproximando-se dos 99 dólares.

Artigos Relacionados