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Rússia não busca conflito global, afirma Medvedev em entrevista

Vice-presidente do Conselho de Segurança cobra que Ocidente e países da OTAN considerem “interesses” russos e voltem à mesa de negociações

Dmitry Medvedev - 13/06/2024 (Foto: Sputnik/Alexei Maishev/Pool via REUTERS)

247 – A Rússia “não tem interesse em um conflito global” e tampouco “quis começar” a chamada “operação militar especial”, declarou o vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitry Medvedev, ao abordar a escalada de tensões entre Moscou, o Ocidente e países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

As afirmações foram dadas em entrevista à agência russa TASS, com participação de Reuters e Wargonzo, publicada nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, em Gorki.

“Quem precisa de um conflito global?”

Ao sustentar que Moscou não busca uma confrontação ampla, Medvedev recorreu a uma formulação direta, em tom retórico, para afastar a hipótese de que a Rússia teria interesse em uma guerra de alcance mundial.

“É claro que não estamos interessados em um conflito global. Não somos loucos! (…) Quem precisa de um conflito global?”

A declaração tenta consolidar a narrativa de que a Rússia não atua com o objetivo de ampliar a guerra para além do teatro regional e, ao mesmo tempo, associa a própria ideia de “conflito global” a uma irracionalidade que, segundo ele, não estaria presente no cálculo político russo.

“Não estávamos interessados em começar” a “operação militar especial”

Na mesma entrevista, Medvedev afirmou que a Rússia tampouco buscou iniciar a chamada “operação militar especial” — termo usado pelo governo russo para se referir à ofensiva militar relacionada ao conflito na Ucrânia.

“Nem estávamos interessados em começar a operação militar especial”, enfatizou o dirigente.

Ao colocar a iniciativa sob a chave da “não intenção”, Medvedev procura deslocar o centro do debate para as condições políticas anteriores ao início da ofensiva, sugerindo que a decisão teria sido resultado de um contexto de impasses e pressões, e não de uma estratégia deliberada de escalada.

Recado ao Ocidente e à OTAN: “sentar à mesa” e levar interesses russos em conta

Medvedev também reiterou que, segundo sua versão, a Rússia teria advertido repetidamente o Ocidente e países da OTAN, pedindo que os interesses russos fossem considerados e que as partes voltassem ao caminho da negociação.

De acordo com o vice-presidente do Conselho de Segurança, Moscou vem defendendo que o debate se dê no terreno diplomático, com seus interesses reconhecidos como parte do problema a ser tratado — e com a exigência política de que as contrapartes sentem à mesa de negociações.

Na prática, a fala combina dois movimentos típicos da comunicação política em cenários de guerra: de um lado, a afirmação de que não há desejo de escalada total; de outro, a cobrança por um formato de negociação que incorpore premissas estratégicas apresentadas por Moscou.

O que a declaração sinaliza no tabuleiro internacional

As frases de Medvedev funcionam como mensagem política em duas camadas. A primeira é voltada ao público internacional: ao negar interesse em um “conflito global”, ele tenta reduzir a leitura de que a Rússia trabalharia com a hipótese de ampliação irreversível das hostilidades.

A segunda camada é dirigida ao eixo Ocidente-OTAN: ao insistir que houve “avisos” e que agora seria necessário considerar interesses russos, Medvedev reforça a pressão por uma agenda de negociação sob os termos defendidos por Moscou — uma narrativa que busca atribuir responsabilidade compartilhada pela escalada e recolocar a mesa de negociações como eixo do discurso oficial.

Em síntese, a entrevista registra a tentativa de apresentar a Rússia como parte que rejeita uma guerra mundial, mas que reivindica uma reconfiguração do diálogo estratégico com o Ocidente, recolocando a negociação como elemento central de sua posição pública.

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