Saiba o que acontece no 70º dia da guerra dos EUA e Israel contra o Irã
Confrontos em Ormuz elevam tensão sobre o cessar-fogo, enquanto Teerã acusa Washington de novos ataques
247 - A guerra entre EUA e Irã chegou ao 70º dia com uma nova escalada no Estreito de Ormuz, depois que Washington violou o cessar-fogo ao atacar embarcações na região e áreas civis na costa sul iraniana.
Segundo a Al Jazeera, o Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM, afirmou que suas forças interceptaram “ataques iranianos não provocados” e responderam com “ataques de autodefesa”. A mídia estatal iraniana, por sua vez, relatou explosões na ilha de Qeshm e disse que sistemas de defesa aérea interceptaram vários drones sobre a área.
A ilha de Qeshm tem posição estratégica na entrada do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Analistas citados no relato apontam que o local é visto como uma plataforma central para a projeção naval do Irã.
A nova troca de acusações ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que um acordo com Teerã poderia estar próximo, após o que descreveu como “conversas muito boas”. Ao mesmo tempo, Trump advertiu que os EUA poderiam retomar bombardeios caso o Irã se recusasse a aceitar um entendimento.
Tensão em Teerã e acusações sobre o cessar-fogo
No Irã, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou ter se reunido recentemente com o líder supremo Mojtaba Khamenei. Segundo ele, o encontro foi franco e ocorreu em um ambiente de confiança mútua. Trata-se de uma das primeiras reuniões reconhecidas publicamente envolvendo o novo líder máximo iraniano desde o início da guerra dos EUA e Israel contra o país.
Teerã também negou envolvimento na explosão que danificou um navio sul-coreano no Estreito de Ormuz nesta semana. Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a embaixada iraniana em Seul afirmou que “rejeita veementemente e nega categoricamente qualquer alegação de envolvimento das forças armadas da República Islâmica do Irã no incidente que danificou uma embarcação coreana no Estreito de Ormuz”.
O governo iraniano acusou os EUA de atacar duas embarcações perto do Estreito de Ormuz e de realizar ofensivas contra áreas civis ao longo da costa sul do país. A mídia estatal iraniana afirmou que as forças de Teerã retaliaram contra navios militares norte-americanos próximos ao estreito e advertiu sobre uma “resposta esmagadora” a qualquer nova agressão.
Programa nuclear
A analista Negar Mortazavi avaliou que Teerã poderia demonstrar mais flexibilidade sobre seu programa nuclear depois do fim do conflito. Ela ponderou, porém, que é improvável que o Irã entregue diretamente aos EUA seu urânio enriquecido.
Segundo Mortazavi, o Irã considera que as negociações com o governo Trump exigem “tempo e paciência”. Ela observou que Teerã já havia iniciado conversas com Washington antes de ser posteriormente atacado.
Diplomacia tenta conter crise regional
A tensão militar ocorre em paralelo a novas movimentações diplomáticas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu a guerra com o papa em uma reunião realizada na quinta-feira, em meio a divergências entre a Casa Branca e o Vaticano sobre a guerra contra o Irã.
Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron disse a Masoud Pezeshkian que os ataques contra infraestrutura civil dos Emirados Árabes Unidos e contra navios próximos ao Estreito de Ormuz foram “injustificados”.
Também no campo diplomático, Líbano e Israel devem participar de uma nova rodada de negociações em Washington nos dias 14 e 15 de maio, com o objetivo de buscar um acordo de paz, segundo um funcionário dos EUA. A iniciativa ocorre apesar de novos ataques israelenses.
Emirados Árabes em alerta
Nos Emirados Árabes Unidos, a Autoridade Nacional de Gestão de Emergências, Crises e Desastres informou que sistemas de defesa aérea respondiam a uma ameaça de mísseis e drones. O órgão orientou moradores a permanecerem em locais seguros e a acompanharem atualizações oficiais.
A ampliação do alerta no Golfo reforça o risco de que os confrontos no Estreito de Ormuz ultrapassem a disputa direta entre Washington e Teerã e afetem países vizinhos, infraestrutura civil e rotas comerciais estratégicas.
Trump diz que cessar-fogo continua
Nos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que três destróieres da Marinha norte-americana atravessaram o Estreito de Ormuz “sob fogo” sem sofrer danos. O presidente dos EUA declarou ainda que os atacantes iranianos e várias pequenas embarcações foram “completamente destruídos” durante o confronto.
Apesar da troca de ataques, Trump disse que o cessar-fogo com o Irã continuava em vigor. Ele também advertiu Teerã de que haveria uma resposta mais dura caso um acordo não fosse alcançado “rapidamente”.
De Washington, a jornalista Kimberly Halkett, da Al Jazeera, relatou que EUA e Irã seguem culpando um ao outro pela escalada mais recente. Segundo ela, a situação configura uma sequência de retaliações em meio à continuidade dos esforços diplomáticos.
Ataques no Líbano ampliam tensão
No Líbano, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reivindicou a responsabilidade pela morte de um alto comandante do Hezbollah em Beirute no dia anterior. Ele afirmou que “nenhum terrorista está imune” a ataques israelenses.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que ataques aéreos israelenses contra as cidades de Doueir, Harouf e Habboush, no distrito de Nabatieh, mataram 11 pessoas, incluindo duas crianças, e deixaram 36 feridas.


