Rússia e Irã rejeitam resolução dos EUA sobre Ormuz
Moscou e Teerã afirmam que texto dos EUA ignora ataques contra o Irã
247 - Rússia e Irã rejeitaram uma proposta de resolução apresentada pelos Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, afirmando que o texto ignora ataques contra o Irã e pode ampliar a tensão regional. As informações são da Telesur.
Segundo a rede latino-americana, a Missão Permanente da Rússia junto à Organização das Nações Unidas questionou oficialmente a iniciativa de Washington, apresentada em conjunto com Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar. O projeto busca uma resolução do Conselho de Segurança sob o argumento de “defender a liberdade de navegação”.
Moscou afirmou que a proposta omite o que considera ser a origem da atual escalada no Oriente Médio. Para a diplomacia russa, a crise é resultado de uma “agressão não provocada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã”.
A Rússia defendeu uma saída política e diplomática para a crise, baseada em acordos sustentáveis entre Washington e Teerã. A missão russa criticou o que chamou de “documentos unilaterais e confrontacionais”, que poderiam estimular uma escalada artificial na região.
A delegação russa também lembrou que, em 7 de abril, Rússia e China bloquearam uma versão anterior da proposta e apresentaram um texto alternativo, ainda em análise. Esse documento, conforme Moscou, inclui apelos à interrupção das hostilidades e reforça a necessidade de garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Na avaliação russa, a nova versão impulsionada pelos Estados Unidos é desequilibrada por apresentar exigências dirigidas apenas a Teerã. Moscou também criticou a formulação do texto, que, segundo a missão russa, trataria o cenário regional em termos de “duas guerras” e deixaria de enfrentar a causa principal da crise.
A Rússia afirmou que qualquer solução para o Estreito de Ormuz deve considerar a origem do conflito. Para Moscou, ignorar esse ponto pode alimentar uma escalada de consequências imprevisíveis para o Oriente Médio. A delegação russa sustentou ainda que a normalidade da navegação somente poderá ser restabelecida quando cessar o uso da força.
A resolução defendida pelos Estados Unidos prevê a criação de um corredor seguro para suprimentos básicos. O texto também busca dar respaldo legal às operações de escolta militar realizadas na região pela coalizão liderada por Washington, sob o argumento de proteger a liberdade de navegação.
O Irã também rejeitou a proposta. Em carta enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o chanceler iraniano, Seyyed Abbas Araghchi, classificou o projeto apresentado por Estados Unidos e Bahrein como “unilateral e incompleto”.
Araghchi afirmou que o texto não menciona a agressão militar nem o uso ilegal da força contra o Irã. De acordo com o chefe da diplomacia iraniana, a responsabilidade direta pela situação é de Washington e do governo de Israel.
O chanceler iraniano acusou os Estados Unidos de tentarem “distorcer os fatos no terreno” e justificar ações ilegais em uma região situada a milhares de milhas das costas norte-americanas. Para Araghchi, a proposta omite a principal causa da tensão no Estreito de Ormuz: a agressão militar e o uso ilegal da força contra a República Islâmica.
“A situação atual se deve direta e exclusivamente à sua guerra agressiva, injustificada e ilegal”, afirmou o diplomata iraniano.
Teerã advertiu que a aprovação da resolução enfraqueceria a credibilidade do Conselho de Segurança da ONU, politizaria suas atribuições e abriria precedente para legitimar medidas coercitivas unilaterais.
“O caminho para a estabilidade está no respeito dos Estados Unidos ao direito internacional”, declarou Araghchi.
O representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, também criticou a iniciativa de Washington. Após comparecer diante da imprensa no Conselho de Segurança, Iravani classificou a proposta como simplista e parcial, afirmando que ela promove uma narrativa seletiva e distorcida para justificar ações militares contra seu país.
“A única solução viável no Estreito de Ormuz é o fim definitivo da guerra, o levantamento do bloqueio marítimo e o restabelecimento da passagem normal”, declarou o diplomata iraniano.
Iravani afirmou que as ações do Irã estão dentro da estrutura do direito internacional diante da agressão. Ele também reiterou a disposição de Teerã de garantir o tráfego marítimo normal, desde que a guerra termine definitivamente e o bloqueio considerado ilegal seja suspenso.
O representante iraniano disse ainda que o caminho para a estabilidade passa pelo respeito ao direito internacional, e não pelo uso indevido do Conselho de Segurança da ONU.


