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Secretário do Tesouro dos EUA diz que Trump e Lula "construíram boa relação"

Scott Bessent afirma que há boa vontade do governo brasileiro e que existe ambiente para o fortalecimento do diálogo bilateral

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent no Fórum Econômico Mundial em Davos 20/01/2026. REUTERS/Denis Balibouse (Foto: Denis Balibouse)

247 - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta terça-feira (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiram estabelecer uma relação positiva após um começo marcado por dificuldades diplomáticas. Segundo ele, o atual contexto da América Latina abre espaço para novas oportunidades de cooperação entre os países.

No encontro, Bessent avaliou que há sinais claros de boa vontade por parte do governo brasileiro e um ambiente favorável ao fortalecimento do diálogo bilateral. As declarações foram feitas durante a CEO Conference Brasil 2026, realizada em São Paulo, em evento promovido pelo BTG Pactual, segundo o jornal O Globo

Avaliação positiva do diálogo bilateral

Ao comentar a relação entre os dois presidentes, o secretário destacou a evolução do entendimento político. “Acho que, depois de um começo conturbado, o presidente Trump e o presidente Lula estabeleceram uma boa relação. E, por isso, considero que o que está acontecendo na América Latina é extremamente empolgante”, afirmou.

Bessent ressaltou ainda que Washington percebe disposição do Brasil para aprofundar a interlocução. “Também notamos muita boa vontade por parte do governo brasileiro. É curioso porque o presidente Lula tem uma tradição de manter bons relacionamentos com presidentes republicanos nos Estados Unidos. E acho que agora estamos no tom certo com o presidente Trump”, declarou.

Expectativa de novas agendas entre Brasil e EUA

Segundo o secretário, essa aproximação pode resultar em iniciativas concretas nos próximos meses. “Acredito que, nos próximos meses, haverá alguma delegação de empresários brasileiros e representantes do governo visitando o presidente Trump, com o presidente Lula, e acho que isso pode ser marcante”, disse.

Bessent também afirmou enxergar na América Latina uma oportunidade de caráter geracional e destacou que os Estados Unidos estão concentrados em fortalecer o eixo norte-sul. Ao mesmo tempo, criticou a administração democrata de Barack Obama, afirmando que o governo perdeu uma “oportunidade épica” ao deixar de apoiar países interessados em adotar políticas econômicas mais favoráveis.

Relação com a China e estratégia no G20

Sobre a China, o secretário afirmou que a relação entre os dois países se encontra em um “lugar muito confortável”, embora tenha ressaltado a existência de uma rivalidade permanente. “Vamos ser rivais, mas queremos que a rivalidade seja justa. Não queremos nos desvincular da China, mas precisamos reduzir riscos”, afirmou.

Ele citou iniciativas dos Estados Unidos no âmbito do G20, com foco tanto no crescimento econômico quanto na retomada da soberania em setores estratégicos, como minerais críticos, semicondutores e medicamentos. “Os EUA, como vimos durante a Covid, são muito dependentes da China para suprimentos médicos. Portanto, acho que podemos ter uma relação muito produtiva, mas sempre seremos concorrentes. Sou da visão de que a competição faz você fazer melhor, impede a estagnação”, disse.

Bessent declarou ainda estar “convencido” de que os Estados Unidos lideram a corrida global pela inteligência artificial, apontando o tema como central na estratégia econômica do governo Trump para os próximos anos.

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