Tribunal de Israel mantém prisão de Thiago Ávila
ONG Adalah denuncia isolamento e maus-tratos contra ativistas presos
247 - A Justiça de Israel decidiu manter até domingo (10) a prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos desde a última quinta-feira (30) quando participavam de uma flotilha em solidariedade à Faixa de Gaza. Algemados durante a audiência, os dois permanecerão sob custódia após a rejeição do recurso apresentado pela defesa, de acordo com informações da AFP e publicadas na Carta Capital.
No segundo parágrafo do processo judicial, advogados ligados à ONG israelense Adalah contestaram a legalidade da detenção e denunciaram maus-tratos contra os ativistas. Segundo a entidade, as forças israelenses interceptaram a embarcação em águas internacionais, nas proximidades da ilha grega de Creta, e levaram o grupo para interrogatório em Israel.
A audiência ocorreu no tribunal de Beerseba. Após a decisão, a advogada Hadeel Abu Salih criticou o posicionamento da Corte israelense. “O tribunal de Beerseba rejeitou nossa apelação e aceitou todos os argumentos que o Estado e a polícia apresentaram à Corte, mantendo a decisão anterior”, declarou à AFP.
Os demais integrantes da flotilha seguiram para uma ilha grega após a interceptação e acabaram libertados. Thiago Ávila e Saif Abu Keshek permaneceram presos sob acusação de supostos vínculos com o Hamas, organização que administra Gaza. Autoridades israelenses sustentaram essa alegação durante o processo.
Denúncias de isolamento e maus-tratos
A ONG Adalah afirmou que os dois ativistas enfrentam condições severas de encarceramento. Segundo a organização, Thiago Ávila e Saif Abu Keshek estão submetidos a isolamento contínuo e iluminação intensa dentro das celas.
A entidade também classificou a abordagem israelense como ilegal. Conforme a ONG, ocorreu “uma prisão ilegal ocorrida em águas internacionais, onde os ativistas foram sequestrados por um navio israelense sem qualquer autoridade”.
Ainda segundo a Adalah, a decisão judicial abre espaço para novas ações semelhantes contra estrangeiros. A organização denunciou “prisões ilegais” praticadas pelas forças israelenses “de uma maneira que também lhes daria legitimidade para voltar a fazê-lo e sequestrar cidadãos estrangeiros”.
Brasil, Espanha e ONU pedem libertação
A manutenção da prisão provocou reações internacionais. Governos do Brasil e da Espanha cobraram a libertação imediata dos ativistas. A Organização das Nações Unidas também se manifestou sobre o caso.
O porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, defendeu nesta quarta-feira a libertação “imediata e incondicional” dos dois presos.
O episódio amplia a repercussão internacional sobre a interceptação da flotilha que seguia em direção à Faixa de Gaza, território palestino atingido pela ofensiva militar israelense.

