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Trump acena com bônus de US$ 1 milhão por morador para a compra da Groenlândia

Declaração do presidente dos EUA, feita após encontro com Mark Rutte, reacende tensão com a Dinamarca e expõe disputa geopolítica no Ártico

Trump participa de um briefing à mídia para marcar o primeiro ano de seu segundo mandato 20/01/2026 (Foto: Nathan Howard)

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está considerando pagar até US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) a cada morador da Groenlândia caso a ilha aceite se tornar parte do território norte-americano. A informação foi publicada pela Sputnik Brasil, com base em relato do jornal Daily Mail.

A declaração recoloca a Groenlândia no centro de uma disputa estratégica no Ártico e surge em um momento de reacomodação de forças na Europa e na OTAN. Em discurso após reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, Trump disse que busca um acordo pacífico e “eterno” para obter o controle do território, tratado por ele como vital para a segurança dos EUA.

Proposta bilionária e pressão sobre a soberania

A ideia atribuída a Trump implica, na prática, um “bônus” individual de escala inédita para viabilizar uma mudança territorial com impactos diretos sobre soberania, autodeterminação e relações diplomáticas no Atlântico Norte. Mesmo apresentada como possibilidade, a proposta tende a produzir efeitos políticos imediatos, por mobilizar a lógica de compra e anexação em um território que pertence ao Reino da Dinamarca e possui dinâmica interna própria.

Segundo a reportagem, Trump sustentou que pretende alcançar um entendimento sem conflito. A expressão “acordo pacífico e eterno” sugere uma tentativa de dar caráter definitivo à ambição norte-americana sobre a Groenlândia, transferindo o debate do campo da cooperação internacional para o da incorporação territorial.

Dinamarca reage: “não está à venda”

A resposta de Copenhague foi imediata. De acordo com a Sputnik Brasil, o governo dinamarquês declarou que a Groenlândia não está à venda, enquanto lideranças locais reforçaram que não há espaço para ideias de anexação.

A reação expõe o tamanho do choque diplomático: ao insistir em linguagem de compra e “controle”, Trump testa limites políticos de um aliado histórico e cria constrangimento institucional em torno de um tema que, para a Dinamarca e para autoridades groenlandesas, diz respeito a soberania e ao direito de decisão do próprio território.

OTAN, Ártico e segurança: o pano de fundo do discurso

O fato de a fala ter ocorrido após encontro com Mark Rutte, secretário-geral da OTAN, amplia o alcance do recado e reforça o componente geopolítico. No texto publicado, a Groenlândia é apresentada como território vital para a segurança dos EUA, o que reposiciona o debate como questão estratégica e militar, e não apenas diplomática.

A centralidade do Ártico se intensifica à medida que cresce a competição por rotas, projeção de poder e presença em áreas polares. Nesse ambiente, a Groenlândia passa a ser vista como peça-chave para monitoramento e influência regional, elevando o risco de tensões recorrentes entre aliados e de maior pressão externa sobre a política local.

Trump também suspende tarifas contra aliados europeus

Ainda segundo a Sputnik Brasil, Trump afirmou que suspendeu os planos de tarifas contra aliados europeus. O gesto sugere uma estratégia de recomposição tática: reduz atritos econômicos com parceiros do continente enquanto lança uma agenda altamente sensível no plano geopolítico, colocando a Groenlândia no centro de suas prioridades de segurança.

Ao sinalizar distensão comercial e, simultaneamente, retomar ambições territoriais, Trump articula duas frentes que pressionam a Europa de maneira distinta: alívio em um campo e tensão explícita no outro.

Disputa territorial volta ao radar e eleva o custo diplomático

Mesmo sem anúncio de um plano formal, a simples circulação pública de uma proposta bilionária reforça a percepção de que a Groenlândia voltou a ser tratada como objeto de disputa estratégica no Ártico. Do lado dinamarquês, a reafirmação de que o território não está à venda funciona como linha vermelha. Do lado norte-americano, a retórica de “controle” e “acordo eterno” amplia a fricção e tende a repercutir na própria dinâmica da OTAN.

O episódio, ao recolocar a anexação como hipótese e ao envolver cifras voltadas diretamente à população local, transforma o tema em teste de força: entre soberania e autodeterminação, de um lado, e uma lógica de poder que tenta converter território e gente em instrumento de barganha, de outro.

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