Trump ameaça impor tarifas de 50% a países que negociem armas com o Irã
Medida anunciada após cessar-fogo levanta dúvidas legais e enfrenta ceticismo entre especialistas
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que pretende aplicar tarifas de 50% sobre produtos importados de países que forneçam armamentos ao Irã. O anúncio foi feito poucas horas após a formalização de um cessar-fogo de duas semanas entre Washington e Teerã.
Em publicação nas redes sociais, Trump declarou: “Um país que fornecer armas militares ao Irã será imediatamente tarifado, em todos os bens vendidos aos Estados Unidos da América, em 50%, com efeito imediato. Não haverá exclusões ou isenções”. O presidente, no entanto, não especificou qual base legal utilizaria para implementar a medida.
A proposta surge em um contexto de limitações jurídicas recentes. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para a imposição de tarifas globais, restringindo a margem de ação do Executivo nesse tipo de iniciativa.
Especialistas avaliam que a adoção imediata da medida enfrenta obstáculos. Rachel Ziemba, pesquisadora do Center for a New American Security, afirmou que “é muito mais complicado fazer isso depois que a IEEPA foi derrubada” e acrescentou: “não há uma ferramenta política ou autorização imediata disponível para os EUA fazerem isso”.
Trump não indicou quais países seriam alvo das tarifas. China e Rússia são frequentemente apontadas como fornecedoras de tecnologia e equipamentos militares ao Irã, embora ambos os países neguem envios recentes.
Para o economista Josh Lipsky, do Atlantic Council, a declaração tem impacto direto sobre a relação com Pequim. “Esta é uma ameaça relacionada à China, da forma como eu interpreto. E a China vai interpretar dessa maneira”, afirmou.
Analistas também destacam que a implementação de novas tarifas exigiria processos formais. Mecanismos como a Seção 301, voltada a práticas comerciais desleais, e a Seção 232, relacionada à segurança nacional, demandam investigações e períodos de consulta pública antes de entrarem em vigor.
Além das limitações legais, há preocupações sobre os impactos econômicos. Segundo Ziemba, “impor tarifas de 50% agora seria muito caro, especialmente para importadores e consumidores dos Estados Unidos”.
No caso da Rússia, o efeito potencial seria reduzido. As importações americanas de produtos russos caíram após 2022, mas registraram aumento de 26,1% em 2025, alcançando US$ 3,8 bilhões, com destaque para paládio, fertilizantes e urânio enriquecido.
A proposta reforça o uso de tarifas como instrumento de pressão na política externa dos Estados Unidos, mas enfrenta incertezas jurídicas e econômicas para sua eventual implementação.


