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Trump avalia envio de tropas ao Irã e possível operação terrestre

Discussões nos EUA incluem controle de áreas estratégicas e estoques nucleares em meio à escalada do conflito no Oriente Médio

Donald Trump (Foto: Daniel Torok/Casa Branca)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia ampliar a atuação militar no Oriente Médio com o possível envio de tropas adicionais e até uma operação terrestre no Irã, em meio à terceira semana de conflito. A movimentação faz parte de um conjunto mais amplo de estratégias discutidas internamente para expandir as ações militares americanas na região.

De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters, as opções em análise incluem garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, principalmente com o uso de forças aéreas e navais, mas também com a possibilidade de presença terrestre em áreas sensíveis.

Entre os cenários considerados está o envio de tropas à costa iraniana e a ocupação da Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Autoridades americanas avaliam que essa operação teria alto risco, já que a região pode ser atingida por mísseis e drones iranianos. Ainda assim, especialistas apontam que controlar a ilha poderia ser mais vantajoso do que destruí-la, devido ao seu peso econômico.

Outro ponto em discussão envolve a possibilidade de intervenção para assegurar o controle de estoques de urânio altamente enriquecido do Irã. Especialistas alertam que uma missão desse tipo seria extremamente complexa e arriscada, mesmo para forças de elite.

Apesar das avaliações em curso, fontes indicam que o envio de tropas terrestres não é considerado iminente. Um funcionário da Casa Branca afirmou que ainda não há decisão definitiva sobre a medida, mas destacou que todas as alternativas seguem em análise. Segundo ele, “o presidente está focado em alcançar todos os objetivos definidos da Operação Fúria Épica: destruir a capacidade de mísseis balísticos do Irã, aniquilar a Marinha do país, garantir que seus aliados não possam desestabilizar a região e assegurar que o Irã nunca tenha uma arma nuclear”.

O uso de tropas em solo iraniano, mesmo em ações limitadas, é visto como politicamente sensível para Trump. A campanha militar enfrenta baixo apoio da população americana, e o presidente dos Estados Unidos havia prometido evitar novos conflitos no Oriente Médio durante sua trajetória política.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, os Estados Unidos realizaram mais de 7.800 ataques e danificaram ou destruíram mais de 120 embarcações iranianas, segundo dados do Comando Central dos EUA, responsável por cerca de 50 mil militares na região. O Pentágono, por sua vez, não comentou as informações divulgadas.

Trump também tem alternado seu discurso sobre a atuação no Estreito de Ormuz. Inicialmente, sugeriu que a Marinha americana poderia escoltar navios na região, mas posteriormente passou a defender maior participação de outros países. Diante da falta de apoio internacional, chegou a cogitar abandonar a missão, afirmando que as nações que utilizam a rota poderiam assumir a responsabilidade pela segurança local.

Além disso, as discussões incluem o envio de reforços militares, como um grupo anfíbio com mais de 2 mil fuzileiros navais. Ao mesmo tempo, os EUA devem enfrentar limitações operacionais com a retirada do porta-aviões USS Gerald R. Ford para manutenção na Grécia após um incêndio a bordo.

A escalada das tensões reforça o cenário de incerteza no Oriente Médio, enquanto Washington mantém em aberto diferentes caminhos para lidar com o conflito e seus desdobramentos estratégicos.

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