Campo de gás do Irã no Golfo é atacado em nova escalada do conflito
Ataque a Pars, maior reserva de gás do mundo, levou Guarda Revolucionária a alertar Arábia Saudita, Emirados e Catar para esvaziarem instalações de energia
247 - O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã atingiu nesta quarta-feira (18) um novo e perigoso patamar. Pela primeira vez desde o início da guerra, a infraestrutura energética iraniana no Golfo Pérsico foi diretamente atacada: o campo de Pars, setor iraniano do maior depósito de gás natural do planeta, foi alvo de bombardeios que provocaram incêndios em tanques de gás e em partes de uma refinaria. A agência de notícias iraniana Fars confirmou os danos, informou a retirada dos trabalhadores para locais seguros e relatou que equipes de emergência trabalhavam para controlar as chamas.
A operação foi amplamente noticiada pela mídia israelense como uma ação conduzida por Israel com o aval dos Estados Unidos — embora os militares israelenses não tenham se pronunciado oficialmente sobre o episódio até o momento da publicação desta matéria.
O Catar, país que divide com o Irã o mesmo gigantesco reservatório de gás a partir do outro lado do Golfo, classificou o ataque como israelense sem fazer menção a qualquer envolvimento americano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catariano — nação que é aliada próxima de Washington e abriga a maior base aérea dos Estados Unidos na região — descreveu a ofensiva como uma escalada "perigosa e irresponsável", capaz de comprometer a segurança energética em escala global.
Irã alerta vizinhos: esvaziamento imediato das instalações
A resposta de Teerã ao ataque veio rapidamente e em tom de alerta regional. A Guarda Revolucionária iraniana notificou Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar para que providenciassem o esvaziamento de diversas instalações de energia em seus territórios — um sinal claro de que o Irã considera a possibilidade de retaliar contra a infraestrutura energética da região.
O movimento representa uma virada significativa no conflito. Até esta quarta-feira, EUA e Israel haviam deliberadamente evitado atacar as instalações de produção de energia iranianas no Golfo, reconhecendo que esse tipo de ação poderia desencadear retaliações contra outros produtores regionais e aprofundar ainda mais o que já é considerada a maior interrupção no fornecimento global de energia da história. Após quase três semanas de combates, porém, não há qualquer sinal de arrefecimento.
Israel elimina ministro da Inteligência do Irã e amplia lista de alvos
No mesmo dia do ataque ao campo de Pars, Israel anunciou ter eliminado o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib — a segunda autoridade de alto escalão morta em menos de 48 horas. No dia anterior, o chefe de segurança Ali Larijani havia sido abatido em outra operação israelense.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou a morte de Khatib e foi categórico sobre a nova diretriz operacional adotada pelo país. "Ninguém no Irã tem imunidade e todos estão na mira", afirmou Katz, ao revelar que o governo israelense autorizou suas forças armadas a agir sem aprovação prévia caso surja oportunidade para atingir qualquer liderança iraniana.
A autorização foi detalhada pelo próprio ministro: "O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e eu autorizamos as Forças de Defesa de Israel a atacar qualquer autoridade de alto escalão iraniana para a qual surja uma oportunidade operacional e de inteligência, sem a necessidade de aprovação adicional", declarou Katz.
Beirute sob fogo: a frente libanesa da guerra
Paralelamente aos eventos no Golfo e no território iraniano, Israel intensificou suas operações no Líbano. A capital Beirute foi atingida por uma série de ataques aéreos descritos como os mais devastadores sobre a cidade em décadas, com prédios residenciais destruídos no centro urbano.
A ofensiva no Líbano representa a segunda frente aberta por Israel no conflito que trava ao lado dos Estados Unidos contra o Irã — e evidencia a extensão geográfica que a guerra já alcançou, abrangendo simultaneamente o território iraniano, o Golfo Pérsico e o Levante mediterrâneo.
A maior crise energética da história
O ataque ao campo de Pars agrava um cenário energético global já gravemente comprometido. O campo é o setor iraniano de uma reserva compartilhada com o Catar e representa uma das maiores fontes de gás natural do mundo. Com o Estreito de Ormuz bloqueado e agora com a infraestrutura de produção diretamente atingida, os mercados globais de energia enfrentam uma pressão sem precedentes históricos registrados.


