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Governo Milei não descarta apoio militar aos EUA na guerra contra o Irã

"Qualquer tipo de ajuda que considerarem necessária será fornecida", afirmou o porta-voz da presidência argentina, Javier Lanari

Presidente da Argentina, Javier Milei 07/07/2024 REUTERS/Anderson Coelho

247 - O governo do presidente argentino Javier Milei abriu a possibilidade de enviar tropas ao Oriente Médio para apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Irã. A declaração foi feita pelo porta-voz da presidência argentina, Javier Lanari, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo nesta quarta-feira (18), e repercutiu imediatamente no cenário político regional. A informação foi amplamente divulgada pela imprensa internacional.

Segundo Lanari, a disposição do governo argentino em colaborar militarmente com Washington é direta e sem ressalvas. "Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer tipo de ajuda que considerarem necessária será fornecida", declarou o porta-voz, deixando claro o alinhamento de Buenos Aires com a administração do atual presidente dos EUA, Donald Trump, no conflito que se desenrola no Oriente Médio desde 28 de fevereiro.

Argentina aprofunda alinhamento com Washington

A possibilidade de envio de tropas não seria a primeira demonstração concreta de apoio do governo Milei a Trump desde o início da guerra. Nos últimos dias, a Argentina formalizou sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) e voltou a classificar oficialmente o Irã como nação inimiga — movimentos interpretados como parte de um realinhamento estratégico de Buenos Aires em direção à órbita política de Washington.

O próprio Milei reforçou seu posicionamento ideológico durante evento que marcou os 34 anos do atentado contra a embaixada de Israel em Buenos Aires. Na ocasião, o presidente argentino foi enfático ao definir as prioridades de sua política externa. "A Argentina combate o terrorismo e defende a liberdade. Israel é um aliado estratégico do nosso país", afirmou Milei, consolidando publicamente a postura de seu governo diante do conflito.

O conflito que divide o mundo

A guerra que a Argentina cogita integrar teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram conjuntamente uma ofensiva militar contra o Irã. Os dois países justificaram a operação com a alegação de que Teerã avançava no desenvolvimento de armamentos nucleares. Mas a acusação foi contestada pela comunidade internacional: o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, informou que equipes de inspetores da ONU não encontraram qualquer evidência de que o Irã conduzisse um programa coordenado para a produção de bombas nucleares.

Desde o início dos combates, o conflito já acumula um saldo superior a 2 mil mortes entre o território iraniano e países vizinhos do Oriente Médio. Washington fundamentou sua intervenção militar na tese do desenvolvimento nuclear iraniano — premissa que a Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou, negando que o Irã nutrisse tal intenção.

O peso geopolítico da declaração argentina

A sinalização do governo Milei de que estaria disposto a enviar tropas ao Oriente Médio representa um passo inédito para a política externa argentina nas últimas décadas. O país sul-americano não participa de operações militares em conflitos internacionais de grande escala desde sua atuação em missões de paz sob a égide da ONU.

Ao colocar abertamente essa possibilidade na mesa, Buenos Aires não apenas reforça seu alinhamento com Trump, mas também se posiciona num conflito que divide profundamente a comunidade internacional — e que, segundo a AIEA e a ONU, foi deflagrado com base em alegações que não encontraram respaldo nas inspeções realizadas no território iraniano.

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