Trump avalia plano do Irã, mas duvida de acordo de paz
O chefe da Casa Branca sinaliza que não haverá acordo para encerrar guerra e obloqueio naval contra o Irã
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que vai analisar o plano enviado pelo Irã, mas indicou descrença em um acordo para encerrar a guerra contra o Irã, em meio ao bloqueio naval norte-americano e à crise no Estreito de Ormuz.
Segundo a Al Jazeera, Teerã apresentou uma proposta de 14 pontos que exige garantias de não agressão, o levantamento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e o fim da guerra “em todas as frentes”, incluindo no Líbano. A Associated Press também informou que o plano iraniano foi enviado por meio do Paquistão, enquanto Trump disse estar revisando a proposta e declarou ceticismo sobre sua aceitação.
Trump também declarou que receberia a redação exata do texto e publicou em rede social que não conseguia imaginar que a oferta fosse aceitável, alegando que o Irã ainda não teria “pago um preço grande o suficiente”.
O conteúdo da proposta iraniana busca deslocar a negociação para uma agenda de desescalada militar. De acordo com a Al Jazeera, Teerã ofereceu reabrir o Estreito de Ormuz, mas condicionou a medida ao fim do bloqueio naval norte-americano contra portos iranianos e ao compromisso dos Estados Unidos de encerrar a guerra.
O ponto mais sensível, porém, continua sendo o programa nuclear iraniano. Washington exige restrições imediatas e garantias de que Teerã não desenvolverá armas nucleares, enquanto o Irã tenta preservar margem de negociação antes de aceitar limites mais amplos. A Al Jazeera informou que a proposta mais recente busca reduzir a tensão no Golfo sem impor, de imediato, as restrições nucleares cobradas pelos Estados Unidos.
A crise se agravou depois que os Estados Unidos iniciaram o bloqueio de portos iranianos em 13 de abril, medida anunciada após negociações sem resultado em Islamabad. Segundo a Al Jazeera, militares norte-americanos disseram que a ação afetaria todos os portos iranianos no Golfo e permitiria a Washington controlar o tráfego marítimo em torno de Ormuz.
Desde então, Trump tem defendido a manutenção da pressão militar até que haja um acordo nuclear. Em 29 de abril, a Al Jazeera noticiou que o presidente norte-americano prometeu manter o bloqueio naval contra o Irã até a conclusão de um pacto com Teerã.
A estratégia norte-americana procura restringir a capacidade econômica iraniana e aumentar o custo político da resistência de Teerã. A AP informou que os Estados Unidos também alertaram empresas de navegação sobre possíveis sanções caso façam pagamentos ao Irã para obter passagem segura pelo Estreito de Ormuz, incluindo transferências em dinheiro, ativos digitais, compensações, trocas informais ou pagamentos indiretos.
Do lado iraniano, o controle parcial da navegação pelo estreito se tornou uma das principais formas de pressão. Segundo a AP, o Irã efetivamente fechou a passagem após ataques e ameaças contra navios, depois do início da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro. Posteriormente, Teerã passou a oferecer passagem segura a algumas embarcações por rotas próximas ao litoral iraniano, em alguns casos mediante cobrança.
A disputa em Ormuz transformou o conflito em uma crise global de energia e segurança.
O conflito também tem dimensões regionais. A proposta iraniana menciona o fim da guerra “em todas as frentes”, incluindo o Líbano, onde a retomada da guerra envolvendo Israel e Hezbollah ampliou o alcance da crise. O atual impasse sucede um cessar-fogo firmado em abril, que reduziu a intensidade dos confrontos diretos, mas não resolveu as causas centrais da guerra.
A posição de Trump indica que a Casa Branca não pretende aliviar o bloqueio antes de obter compromissos considerados suficientes. Para Washington, a pressão marítima é uma forma de forçar Teerã a aceitar termos mais duros. Para o Irã, a exigência de garantias de não agressão e o fim do bloqueio são condições mínimas para qualquer avanço.
A guerra dos EUA contra o Irã chega, assim, a um ponto de equilíbrio instável: há uma proposta sobre a mesa, um cessar-fogo ainda em vigor e canais diplomáticos abertos, mas também bloqueio naval, sanções, pressão militar e divergência profunda sobre o futuro do programa nuclear iraniano. O resultado imediato dependerá da resposta de Trump ao texto enviado por Teerã e da capacidade das partes de transformar a trégua em negociação efetiva pela paz.


