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Trump condiciona fim da guerra contra Irã aos Acordos de Abraão

Presidente dos EUA tenta associar negociação com Teerã à ampliação da normalização entre Israel e países muçulmanos

Donald Trump (Foto: REUTERS/Evan Vucci)
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247 - O presidente dos EUA, Donald Trump, tenta associar a negociação com Teerã à ampliação da normalização entre Israel e países muçulmanos, ao defender que nações como Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia adiram aos Acordos de Abraão.

Segundo a Reuters, Trump afirmou que pediu aos líderes desses países que assinassem os acordos em massa, enquanto busca avançar em uma negociação para encerrar a guerra com o Irã. A proposta, no entanto, encontrou resistência imediata do Paquistão e não recebeu resposta pública de Israel nem dos demais governos citados.

Em publicação na Truth Social, Trump afirmou: “Estou solicitando obrigatoriamente que todos os países assinem imediatamente os Acordos de Abraão e que, se o Irã assinar o acordo comigo, como Presidente dos Estados Unidos da América, seria uma honra tê-los também como parte desta coalizão mundial sem precedentes”.

O presidente dos Estados Unidos também mencionou “todo o trabalho realizado pelos Estados Unidos para tentar resolver esse quebra-cabeça muito complexo”, em referência às negociações envolvendo o Irã e a tentativa de ampliar o alcance dos Acordos de Abraão.

De acordo com uma fonte paquistanesa familiarizada com o assunto, a declaração de Trump indica uma tentativa de usar a diplomacia em torno de um cessar-fogo com o Irã como instrumento de pressão para ampliar a normalização com Israel. A mesma fonte afirmou que os dois temas “não estão interligados e não podem ser interligados”.

“O Paquistão não tem nenhuma obrigação de acatar tal exigência”, disse a fonte.

A proposta ocorre em um contexto de forte sensibilidade política no mundo muçulmano. A ofensiva militar de Israel em Gaza mantém elevada a desconfiança pública em relação a Israel em vários dos países citados por Trump, o que torna improvável uma adesão rápida e ampla aos acordos de normalização.

O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a publicação do presidente dos EUA.

Para a Arábia Saudita, berço do Islã e guardiã de Meca e Medina, o reconhecimento de Israel representaria mais do que um marco diplomático. A decisão envolve uma questão de segurança nacional profundamente sensível e ligada a um dos conflitos mais antigos e difíceis do Oriente Médio.

A posição tradicional do reino saudita tem sido a de não aderir aos Acordos de Abraão sem um entendimento sobre um caminho para a criação de um Estado palestino. Esse ponto continua sendo um obstáculo central para qualquer avanço na normalização entre Riad e Tel Aviv.

Trump afirmou que um ou dois dos países com os quais conversou podem ter razões para não aderir aos acordos, mas disse que a maioria deveria estar “pronta, disposta e capaz de tornar este acordo com o Irã um evento muito mais histórico do que seria de outra forma”.

Egito, Jordânia e Turquia já mantêm relações diplomáticas com Israel. Mesmo assim, esses vínculos foram tensionados desde o início da guerra em Gaza, o que reduz o espaço político para gestos de aproximação com o governo israelense.

Trump também declarou que as negociações com o Irã estavam “avançando bem”, mas não indicou que um acordo estivesse próximo de ser concluído. A fala reforça a tentativa de apresentar a diplomacia com Teerã como parte de uma estratégia regional mais ampla.

O senador Lindsey Graham, aliado de longa data de Trump, apoiou a ideia de vincular o Irã aos Acordos de Abraão. Para ele, a estratégia poderia impulsionar a integração regional e criar “uma potência de oportunidade econômica”.

Outros analistas veem a manobra como uma forma de tornar um eventual acordo com o Irã mais aceitável para setores céticos em Washington e para aliados de Israel. A tentativa seria apresentar a negociação com Teerã não como concessão, mas como parte de um rearranjo regional favorável à segurança israelense e aos interesses dos Estados Unidos.

Ali Vaez, diretor do projeto sobre o Irã no International Crisis Group, avaliou que Trump tenta vender a negociação como uma continuação dos Acordos de Abraão. “Trump está tentando vender um acordo com o Irã como uma sequência dos Acordos de Abraão: bom para Israel, bom para a região, duro o suficiente para Washington”, afirmou.

O analista, porém, criticou a estratégia. “Mas ele está trocando uma fantasia por outra — de forçar o Irã a se render para fingir que um acordo frágil pode ancorar uma nova ordem no Oriente Médio”, disse Vaez.

Trump tem afirmado repetidamente que deseja expandir os Acordos de Abraão, firmados durante seu primeiro mandato na Casa Branca. Em 2020, Emirados Árabes Unidos e Bahrein assinaram os tratados, rompendo um tabu histórico ao se tornarem os primeiros Estados árabes em 25 anos a reconhecer Israel formalmente. Marrocos e Sudão aderiram posteriormente.

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