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Trump diz que acordo com o Irã será assinado neste domingo e promete reabrir o Estreito de Ormuz

Presidente dos EUA diz que pacto será assinado domingo, mas Teerã pede cautela sobre a data

Donald Trump ameaça destruir o Irã (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)
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247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que um acordo com o Irã para tentar encerrar o conflito no Oriente Médio deverá ser assinado neste domingo (14) e prometeu a reabertura do Estreito de Ormuz após a formalização do pacto. Os relatos foram publicados neste sábado (13) pelo Portal G1.

O político do Partido Republicano afirmou esperar que o processo avance de forma rápida e sem obstáculos. "Esperamos trabalhar em conjunto com Irã e todo o Oriente Médio no futuro", disse o presidente norte-americano. Ele também declarou que, "no momento apropriado e quando tudo estiver calmo", os Estados Unidos irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo.

Mesmo sem provas, os EUA acusaram o Irã de implementar medidas para o desenvolvimento de arma nuclear. Mas o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que, segundo inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU), não encontraram provas da suposta pretensão do governo iraniano. 

No caso de Ormuz, cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no planeta passa pelo estreito, que fica situado entre o Irã e Omã, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. O corredor marítimo tem importância essencial para integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, que usam essa rota para escoar a maior parte de sua produção, sobretudo rumo à Ásia. Embarcações destinadas à Europa e às Américas também cruzam essa passagem.

Negociações avançam com mediação do Paquistão

O anúncio ocorreu após o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmar que EUA e Irã haviam concordado com os termos de um acordo de paz para encerrar meses de conflito no Oriente Médio. "Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca", publicou Sharif na rede social X. A mensagem foi compartilhada por Donald Trump.

Sharif disse ainda que o Paquistão se prepara para uma assinatura eletrônica esperada dentro das próximas 24 horas, seguida por negociações técnicas na próxima semana. "Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura", afirmou.

Apesar do otimismo demonstrado por Trump e Sharif, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, evitou confirmar a assinatura do memorando neste domingo. "Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã", declarou.

Baghaei acrescentou que a assinatura do chamado memorando de Islamabad nos próximos dias não pode ser descartada, mas disse que é necessário "ser cauteloso" ao comentar a data. Um alto funcionário do governo norte-americano afirmou à Agência Reuters acreditar que há um "acordo sólido com o Irã".

Pontos discutidos no possível acordo

Nenhuma das partes divulgou oficialmente o conteúdo do novo acordo. No entanto, veículos da imprensa norte-americana e iraniana publicaram pontos atribuídos a fontes dos dois governos.

Segundo a CNN Internacional, com base em fontes do regime iraniano, o memorando prevê um novo cessar-fogo de 60 dias em "todas as frentes", incluindo o Líbano. O texto também incluiria a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, sem cobrança de taxas pelo Irã às embarcações, além da retomada do tráfego local aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias.

A emissora informou ainda que os Estados Unidos levantariam o bloqueio naval na entrada de Ormuz, enquanto sanções contra o Irã seriam flexibilizadas progressivamente. O Irã, por sua vez, assumiria o compromisso de não obter uma arma nuclear.

A Reuters ouviu uma fonte do governo norte-americano segundo a qual o acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a manutenção do bloqueio ao acesso do Irã a recursos congelados por sanções até que Teerã cumpra sua parte no pacto.

Já a imprensa estatal iraniana divulgou que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio. A agência Mehr afirmou que o memorando deve prever a suspensão das sanções dos Estados Unidos contra o Irã, a retirada de forças militares norte-americanas das proximidades do país, o fim do bloqueio naval a portos iranianos e a interrupção das hostilidades em todas as frentes da guerra, incluindo o Líbano.

Trump critica Teerã e depois compartilha mensagem iraniana

Antes de voltar a sinalizar otimismo, Trump criticou duramente o Irã pela divulgação de supostos detalhes do acordo à imprensa norte-americana. O presidente dos Estados Unidos afirmou que as informações publicadas eram falsas e chamou os dirigentes iranianos de "pessoas muito desonrosas para se negociar".

"Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.

Horas depois, porém, o presidente norte-americano compartilhou uma publicação do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi. No texto, Araqchi afirmou que um acordo entre seu país e os Estados Unidos "nunca esteve tão perto".

Acordo surge após nova escalada militar

A aproximação entre Estados Unidos e Irã foi anunciada por Trump na quinta-feira (11), depois de uma terceira noite de ataques. Após dizer que pretendia controlar o petróleo e o gás do Irã, o presidente norte-americano cancelou a ofensiva e afirmou que negociadores haviam chegado a um consenso sobre os "pontos finais" da proposta de paz.

Trump disse que um acordo definitivo com Teerã "talvez seja assinado no fim de semana". Segundo ele, a assinatura ocorreria na Europa e teria a presença de seu vice, JD Vance. O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que o "memorando de entendimento" já teria sido aprovado "por todo mundo no Irã", inclusive pelo líder supremo do país, e classificou o pacto como positivo porque, segundo ele, "o Irã jamais terá uma arma nuclear".

Pouco depois, no entanto, o Irã negou ter aprovado qualquer texto. "Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado", afirmou a agência estatal Fars.

Troca de ataques pressiona negociações

As indicações de avanço diplomático ocorrem após Estados Unidos e Irã retomarem ataques no Golfo Pérsico, mesmo sob cessar-fogo. A nova escalada começou depois da queda de um helicóptero militar das forças norte-americanas durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz.

Trump acusou o Irã de atacar a aeronave e disse que precisaria responder. Na mesma noite, os Estados Unidos bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã reagiu com ataques a uma base norte-americana no Bahrein.

Na quarta-feira (10), os EUA realizaram novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente contra países do Golfo Pérsico. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que a escalada tornou as conversas por um acordo de paz mais difíceis, além de deixar o cessar-fogo em vigor "sem sentido".

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