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Irã diz que memorando com os Estados Unidos “nunca esteve tão perto” em meio a tensão militar

Teerã afirma que partes centrais do texto estão praticamente concluídas, mas nega acordo definitivo

Abbas Araghchi (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)
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247 – O governo do Irã afirmou nesta sexta-feira que um memorando de entendimento com os Estados Unidos está mais próximo de ser concluído, em meio à divulgação, por veículos de imprensa, de possíveis detalhes de um acordo entre Washington e Teerã. A informação foi publicada pela teleSUR, com base em fontes como Al Jazeera, Iran Observer, Mehr, PressTV e HispanTV.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que “o memorando de entendimento de Islamabad nunca esteve tão perto”, mas pediu que a imprensa evite especulações até que o texto seja finalizado. A declaração ocorre após Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, afirmar ter alcançado “um grande acordo” com o Irã, que poderia ser assinado no fim de semana na Europa.

Teerã, porém, negou ter aceitado qualquer memorando definitivo e informou que o texto ainda está em processo de revisão. Segundo Araghchi, os detalhes só serão apresentados publicamente no momento adequado. “À espera de sua finalização, os meios devem abster-se de entrar em especulações sobre seu conteúdo. De acordo com nossa abordagem responsável e transparente, todos os detalhes serão compartilhados com o público no momento oportuno”, afirmou o chanceler iraniano.

Irã fala em avanço, mas nega acordo fechado

O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, também confirmou que as principais seções de um possível acordo estão próximas de serem concluídas. Ao mesmo tempo, rejeitou as especulações sobre um pacto já fechado.

“Em relação ao texto, suas partes principais estão praticamente finalizadas. O problema é que as posturas contraditórias dos Estados Unidos sempre provocaram turbulências e transtornos neste processo”, disse Baghaei.

A confirmação iraniana ocorre ao fim de uma semana de forte tensão na Ásia Ocidental. Segundo o relato divulgado, houve dois dias consecutivos de ataques dos Estados Unidos no sul do Irã, na terça e na quarta-feira, seguidos de represálias imediatas de Teerã contra dezenas de alvos norte-americanos na região.

Na quinta-feira, Trump ameaçou atacar o Irã “muito forte esta noite” e tomar a estratégica ilha de Jarg, onde fica a maior terminal de exportação de petróleo iraniano, caso não houvesse acordo. Horas depois, o presidente dos Estados Unidos cancelou os bombardeios previstos, alegando avanço nas negociações e dizendo que os “pontos finais” haviam sido aprovados pelas partes envolvidas.

Paquistão diz que texto final foi alcançado

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou nesta sexta-feira que Estados Unidos e Irã chegaram a um “texto definitivo e consensuado” de um acordo de paz, restando a definição dos “próximos passos”.

“Podemos confirmar que foi alcançado um texto definitivo e consensuado do acordo de paz e que o Paquistão está colaborando estreitamente com ambas as partes para concretizar os próximos passos”, declarou Sharif. Ele acrescentou que “a paz nunca esteve tão perto como agora”.

A fala do governo paquistanês reforçou a percepção de que há uma negociação em estágio avançado. Ainda assim, autoridades iranianas insistem que o processo de revisão interna não foi concluído e que qualquer anúncio sobre data ou local de assinatura é prematuro.

Possível memorando envolveria cessar-fogo, sanções e Estreito de Ormuz

De acordo com informações publicadas por meios iranianos, citando fontes informadas, Washington teria tentado modificar recentemente o texto de 14 pontos proposto pelo Irã. Segundo esses relatos, a pressão militar e diplomática dos Estados Unidos não teria obtido concessões de Teerã, que manteve suas linhas vermelhas.

Posteriormente, os Estados Unidos teriam comunicado, por meio de um mediador catariano, que as emendas norte-americanas recentes eram desnecessárias.

A agência EFE citou um alto funcionário da administração Trump, segundo o qual Washington espera assinar o acordo nos próximos dias. “Esperamos assinar este acordo nos próximos dias. Não posso dar uma data exata”, disse a fonte. O mesmo funcionário afirmou que o rascunho “cumpre os objetivos centrais que o presidente dos Estados Unidos estabeleceu” ao iniciar a guerra contra o Irã em fevereiro e coloca Washington “em uma posição muito, muito favorável”.

Segundo a agência iraniana Mehr, o memorando incluiria o fim permanente e imediato da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, além do compromisso dos Estados Unidos de não interferir nos assuntos internos do Irã e de retirar suas forças posicionadas ao redor do país.

O texto também preveria o levantamento completo do bloqueio naval e a reabertura do Estreito de Ormuz conforme arranjos iranianos. Outro ponto citado seria a suspensão das sanções sobre petróleo e gás, além do acesso total do Irã a seus recursos financeiros.

Reconstrução e fundos bloqueados estão entre pontos citados

Ainda segundo a Mehr, o memorando estabeleceria que Estados Unidos e aliados apresentariam planos de reconstrução para o Irã no valor mínimo de US$ 300 bilhões.

No tema nuclear, o acordo preveria um prazo de 60 dias para a conclusão de um entendimento final. Nesse período, haveria a liberação de US$ 24 bilhões em fundos iranianos bloqueados, com acesso imediato à metade desse valor após a assinatura do memorando.

O texto também incluiria um mecanismo de supervisão para implementar o acordo. A versão final seria aprovada por resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

De acordo com o Iran Observer, Araghchi afirmou à televisão estatal iraniana que o Estreito de Ormuz e os ativos congelados do Irã fazem parte do possível acordo. “A situação no Estreito de Ormuz e os ativos congelados do Irã fazem parte do próximo acordo. É necessário o pagamento de taxas para utilizar o Estreito de Ormuz”, disse o chanceler.

Araghchi também afirmou que, como parte do acordo e do cessar-fogo no Líbano, Israel se retirará do território libanês. “Se estas e outras obrigações não forem cumpridas, não serão realizadas negociações sobre um acordo final”, declarou.

Embora não tenha apresentado números sobre compensações, o chanceler disse que há previsão de um plano econômico para reparar os danos causados ao Irã. “Para compensar o dano causado ao Irã, foi previsto um plano econômico que, diga-se de passagem, é um dos pontos que devem ser discutidos em detalhe”, afirmou.

Questão nuclear ficaria para segunda etapa

Em entrevista à imprensa, Araghchi explicou que as negociações estão previstas em duas etapas. A primeira seria o memorando de entendimento. A segunda envolveria as conversas sobre o acordo final.

O chanceler disse que a questão nuclear e o levantamento das sanções contra o Irã foram adiados para essa segunda fase, com prazo de 60 dias de negociações. “Foi adiado o tema nuclear para o plano do acordo final. Por diversas razões, não foi possível discuti-lo nas condições atuais”, afirmou Araghchi à Mehr.

Ele acrescentou que as exigências dos Estados Unidos “nunca foram aceitáveis”. Segundo o chanceler, a posição de Teerã “sempre foi que, se for determinado um nível de enriquecimento de 60%, a única solução é diluí-lo no Irã”.

Mercados reagem com otimismo ao possível acordo

Os mercados financeiros reagiram positivamente ao princípio de acordo anunciado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito com o Irã. Bolsas europeias registraram altas superiores a 2% em índices como o IBEX 35 e o Euro Stoxx 50.

Na Ásia, os mercados também fecharam a sessão de 11 de junho em forte alta, liderados pelo Kospi, da Coreia do Sul, que avançou 4,63%.

Ao mesmo tempo, os preços do petróleo recuaram. O Brent caiu 3,37%, para US$ 87,33 o barril, enquanto o Texas WTI recuou 3,23%, para US$ 84,88.

Teerã exige compromissos “sem peros, desculpas e pretextos”

Apesar do otimismo, uma fonte iraniana de alto escalão disse à agência FARS que são “completamente falsas” as informações de que o acordo já foi finalizado e seria assinado no domingo em Genebra, na Suíça.

A fonte afirmou que “o processo de revisão e tomada de decisões no Irã ainda não foi concluído”. Por isso, acrescentou, “tanto o anúncio do domingo quanto a localização de Genebra são categoricamente negados”.

Nesse contexto, o presidente do Parlamento iraniano e chefe negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os Estados Unidos precisam cumprir suas promessas para que haja acordo.

“É preciso cumprir os compromissos assumidos, sem peros, desculpas e pretextos. Não há outro caminho para o acordo que se aproxima. No fim, cada um colhe o que semeou”, disse Qalibaf em sua conta no X.

A fala resume a cautela iraniana diante das negociações: embora Teerã reconheça avanços importantes, o governo insiste que não haverá acordo definitivo sem garantias concretas, cumprimento de compromissos e respeito às condições estabelecidas pelo país.

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