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Trump diz que decidirá em breve sobre venda de armas dos EUA a Taiwan

Presidente dos Estados Unidos afirma manter diálogo com Xi Jinping enquanto Pequim cobra prudência e tensões envolvem novo pacote bilionário

Donald Trump (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite desta segunda-feira (16) que tomará “em breve” uma decisão sobre a venda de armas a Taiwan, tema que ganhou peso nas relações entre Washington e Pequim às vésperas de sua visita à China, prevista para abril. A declaração foi dada a jornalistas a bordo do Air Force One, em meio a questionamentos sobre o alerta do governo chinês para que eventuais negociações envolvendo a ilha sejam conduzidas com “prudência”.

Trump confirmou que o assunto está sendo tratado diretamente com o presidente chinês, Xi Jinping. “Estou conversando com ele [Xi] sobre isso”, afirmou. “Tivemos uma boa conversa. E tomaremos uma decisão em breve”, completou, acrescentando que mantém um “bom relacionamento” com o líder chinês.

No fim do ano passado, os Estados Unidos aprovaram a venda de aproximadamente US$ 11 bilhões em armamentos para Taiwan. A medida foi alvo de críticas severas de Pequim, que dias depois realizou exercícios militares de grande escala ao redor da ilha. A China considera Taiwan parte de seu território, enquanto o governo democraticamente eleito da ilha, liderado por Lai Ching-te, e parcela significativa da população rejeitam essa reivindicação.

No início deste mês, o jornal britânico Financial Times noticiou que a Casa Branca avalia um novo pacote de armas para Taiwan, possivelmente superior ao montante já autorizado. A perspectiva de ampliação do apoio militar norte-americano reacendeu debates sobre o alcance das garantias de segurança oferecidas por Washington a Taipé.

Para Lev Nachman, cientista político da Universidade Nacional de Taiwan, a simples menção pública de Trump ao tema como parte de um possível diálogo com Pequim já altera o cenário político. Caso a venda de armas esteja efetivamente integrada às negociações entre Estados Unidos e China, isso indicaria uma “nova era de incerteza”, afirmou o especialista.

“Só o fato de Trump dizer isso em voz alta já é problemático para o governo Lai”, declarou Nachman, observando que adversários políticos em Taiwan têm questionado a dependência da ilha em relação aos Estados Unidos, inclusive após a conclusão de um recente acordo comercial.

Ele também mencionou as chamadas Seis Garantias — compromissos de segurança assumidos anteriormente por Washington, entre eles o de não consultar Pequim sobre vendas de armas a Taiwan. “Alguns dizem que [as declarações] poderiam violar as Seis Garantias, mas isso só seria o caso se houvesse algum tipo de mudança na natureza da venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan”, explicou. “Até sabermos mais, isso coloca um pilar importante da relação entre Estados Unidos e Taiwan em um potencial limbo”, acrescentou.

O debate ocorre em meio a um impasse político interno em Taiwan. O Kuomintang (KMT) e o Partido do Povo de Taiwan, que juntos detêm maioria no Legislativo, vêm bloqueando a tramitação de um orçamento especial de defesa no valor de US$ 40 bilhões proposto por Lai. O plano busca reforçar a capacidade de dissuasão diante da China e atende a pedidos do governo Trump para que a ilha amplie seus gastos com segurança.

A paralisação provocou reações em Washington. Na semana passada, dezenas de parlamentares norte-americanos enviaram carta ao presidente do Parlamento taiwanês, Han Kuo-yu, e a outros líderes políticos, pedindo o avanço da proposta. Na segunda-feira (16), Han divulgou, ao lado de seu vice, uma declaração conjunta prometendo que o orçamento especial de defesa será “tratado como prioridade legislativa máxima” quando o Parlamento retomar os trabalhos após o Ano Novo Lunar, conforme noticiado pela imprensa local.

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