Trump diz que Dinamarca não pode impedir ação dos EUA na Groenlândia: "nós podemos tudo"
Presidente dos Estados Unidos afirma que interesse na ilha envolve riscos geopolíticos e segurança nacional
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a necessidade de controle estadunidense sobre a Groenlândia, afirmando que a ilha é estratégica para a segurança nacional e para a estabilidade da Europa. A declaração foi feita em meio a uma série de encontros diplomáticos realizados na Casa Branca ao longo da primeira quinzena de 2026. As informações são do SBT News.
Reunião diplomática na Casa Branca
Na última quarta-feira (14), ministros de Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram por pouco mais de duas horas com o vice-presidente dos Estados Unidos e integrantes do alto escalão do governo norte-americano. O encontro ocorreu na área leste da Casa Branca e foi motivado pelas recentes manifestações de Washington sobre o futuro da ilha no Ártico.
Após a reunião, Donald Trump foi questionado sobre declarações da ministra da Groenlândia, que afirmou ter apresentado aos norte-americanos os limites impostos pela população local. O presidente dos Estados Unidos respondeu que ainda não havia sido informado sobre essa colocação, mas destacou manter uma “boa relação com os dinamarqueses”.
"Não há qualquer coisa que a Dinamarca possa fazer"
Ao tratar do tema, Trump foi direto ao comentar a capacidade de reação da Dinamarca. “Não há qualquer coisa que a Dinamarca possa fazer. Nós podemos tudo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos.
Questionado novamente se não haveria meios de impedir uma eventual ação norte-americana, Trump declarou que "vamos ver o que acontece, mas nós precisamos. Eu não sou o primeiro. Isso foi falado pelo presidente Truman e quarenta anos antes do presidente Truman eles estavam falando sobre isso. Falam disso há cem anos. Não é algo tão novo. Muitas pessoas não percebem, mas isso foi um assunto quente. Talvez não tão quente quanto agora, mas foi por um bom tempo e nós precisamos por uma questão de segurança nacional. E isso inclui a Europa”.
Segurança nacional e disputas geopolíticas
Segundo Trump, a Groenlândia ocupa uma posição estratégica diante do avanço de outras potências globais. O presidente dos Estados Unidos afirmou que, caso Washington não atue, outros países poderão ocupar esse espaço. “Se nós não entrarmos, a Rússia entrará, a China entrará”, disse.
Trump também revelou ter tratado do assunto com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. De acordo com o presidente estadunidense, Rutte “quer ver algo feito” sobre a questão, embora publicamente o dirigente da aliança militar tenha evitado um confronto direto com Washington.
Visita de María Corina Machado a Washington
Na quinta-feira (15), a agenda da Casa Branca foi marcada pela visita da venezuelana María Corina Machado. O almoço de trabalho oferecido pelo governo dos Estados Unidos ocorreu sem a presença da imprensa. Assessores confirmaram que a dirigente levou ao presidente estadunidense uma medalha e uma placa.
Mais tarde, foi divulgado que María Corina Machado emoldurou a medalha de ouro original que recebeu do Nobel da Paz em uma placa de agradecimento a Trump, em nome do povo venezuelano. Em conversa com jornalistas do lado externo do Capitólio, sob temperaturas negativas, ela afirmou que o presidente dos Estados Unidos mereceu o presente.
No dia seguinte, antes de embarcar no helicóptero Marine One, Donald Trump declarou que ficou agradecido com o gesto. Posteriormente, os organizadores do Nobel da Paz divulgaram um esclarecimento informando que a medalha concedida não pode ser oficialmente repassada, embora existam precedentes históricos. O Museu do Nobel da Paz citou o caso do jornalista Dmitry Muratov, que leiloou sua medalha e destinou mais de 100 milhões de dólares arrecadados a refugiados da guerra na Ucrânia.


