Trump diz que Irã teria pedido cessar-fogo; Teerã não confirma
Presidente dos Estados Unidos diz negociar com suposto “presidente do novo regime do Irã”. Presidência iraniana segue sob comando de Masoud Pezeshkian
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Irã teria solicitado um cessar-fogo no conflito iniciado em 28 de fevereiro, envolvendo também Israel, e afirmou que a eventual trégua dependerá da reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
A informação foi divulgada pelo próprio Trump nesta quarta-feira (1º), em uma publicação na rede Truth Social. O Irã, no entanto, não confirmou publicamente o envio de qualquer proposta de cessar-fogo aos Estados Unidos.
Na mensagem, Trump fez referência a uma suposta mudança no comando iraniano e adotou um tom duro ao comentar o conflito. “O presidente do novo regime do Irã, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que seus antecessores, acaba de pedir um CESSAR-FOGO aos Estados Unidos da América! Vamos considerar [a proposta] quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos bombardeando o Irã até sua completa destruição ou, como se diz, de volta à Idade da Pedra!!!”, escreveu.
Apesar da menção a um “novo regime”, não houve alteração na presidência iraniana, que segue sob comando de Masoud Pezeshkian. A declaração de Trump ocorre em um contexto de discursos recentes em que o líder norte-americano sugere mudanças políticas no Irã em decorrência da guerra.
O governo iraniano, por sua vez, tem negado a existência de negociações diretas com Washington. Na semana anterior, Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos e apresentou uma contraproposta, sobre a qual o governo norte-americano não se pronunciou.
A exigência feita por Trump para aceitar a suposta trégua — a reabertura do Estreito de Ormuz — reforça a centralidade da região no conflito. A via marítima foi fechada pelo Irã no início das hostilidades, impactando diretamente o fluxo global de petróleo.
As declarações mais recentes do presidente dos EUA evidenciam uma estratégia marcada por sinais contraditórios: ao mesmo tempo em que sugere a possibilidade de um fim próximo para o conflito, também faz ameaças de intensificação das ações militares, incluindo a hipótese de uma invasão terrestre caso não haja acordo rápido.


