Trump diz que não liberará ativos iranianos confiscados antes de cessar-fogo e amplia pressão sobre Teerã nas negociações
Conversas para acordo de paz continuam sensíveis e tensas, sem perspectiva de solução a curto prazo
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (7), que não pretende descongelar bilhões de dólares em ativos iranianos confiscados antes que seja firmado um acordo de cessar-fogo duradouro para encerrar formalmente a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, informa a Al Jazeera.
A declaração foi feita em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News. A fala do chefe da Casa Branca indica que Washington mantém uma posição rígida em um dos pontos mais sensíveis das negociações com Teerã: a liberação de recursos iranianos confiscados por sanções.
Trump afirmou que qualquer desbloqueio dos ativos iranianos “acontecerá depois” da conclusão de um acordo. “Se eles se comportarem, se fizerem um bom trabalho, começamos a conversar”, disse o presidente dos Estados Unidos.
Autoridades iranianas têm sinalizado repetidamente que um eventual acordo poderá depender do descongelamento, ao menos parcial, dos recursos bloqueados de Teerã. O argumento apresentado pelo lado iraniano é que há ampla desconfiança em relação às negociações com Washington.
O impasse ocorre em meio a conversas sobre o programa nuclear iraniano e após os EUA terem lançado duas operações militares contra o Irã durante as tratativas. Para analistas citados no contexto das negociações, esse histórico tornou as autoridades iranianas mais cautelosas diante das propostas de cessar-fogo.
Nas últimas semanas, Trump tem afirmado que um avanço diplomático estaria próximo. Ainda assim, permanecem sem solução temas considerados centrais, como o futuro controle do Estreito de Ormuz, o programa nuclear do Irã e o destino dos ativos congelados.
Durante a entrevista à NBC, gravada em um celeiro durante uma viagem de Trump ao Wisconsin na sexta-feira (5), o presidente dos Estados Unidos manteve o tom de ameaça contra Teerã. “Estamos muito perto de um acordo, ou eu vou acabar com eles”, afirmou.
Irã diz que conversas estão em impasse
Em entrevista à CNN no sábado, Mohsen Rezaee, conselheiro militar do líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, apresentou uma avaliação diferente da situação. Segundo ele, “as negociações estão em um impasse”.
Rezaee pediu que Trump resolvesse o bloqueio nas conversas. A divergência entre as declarações de Washington e Teerã reforça a percepção de que, apesar das afirmações públicas de proximidade de um acordo, ainda há obstáculos relevantes a serem superados.
Acredita-se que o Irã tenha mais de US$ 100 bilhões congelados em contas bancárias em diferentes países devido a sanções impostas pelos EUA e por outros governos. Parte desses recursos deveria ter sido gradualmente liberada no âmbito do acordo nuclear de 2015, que previa a redução do programa nuclear iraniano em troca da suspensão de sanções.
Trump retirou unilateralmente os Estados Unidos do acordo em 2018. Desde então, a questão dos ativos congelados permaneceu como um dos principais pontos de atrito entre Washington e Teerã.
Segundo a mídia estatal iraniana, o Irã busca recuperar entre US$ 12 bilhões e US$ 24 bilhões em fundos bloqueados como parte de um eventual acordo de cessar-fogo. A proposta defendida por Teerã prevê a liberação de metade do valor após a assinatura do acordo e da outra metade em uma etapa posterior.
Rezaee classificou esse mecanismo como um “teste de confiança”.
Trump diz estar disposto a falar com Khamenei
Na entrevista à NBC, Trump afirmou que estaria disposto a conversar com Khamenei, que sucedeu seu pai, Ali Khamenei, depois que ele foi assassinado pouco após o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Os combates foram praticamente interrompidos desde 8 de abril, embora os dois lados tenham trocado ataques periódicos desde então.
O presidente dos Estados Unidos também afirmou que “não estava exigindo” que o Líbano fosse incluído em um acordo de cessar-fogo.
Ataques de Israel no Líbano ampliam tensão regional
A continuidade dos ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano, aos quais o Irã se opõe, tem representado uma ameaça constante às negociações. A situação no território libanês aparece como mais um fator de instabilidade em meio ao esforço diplomático para formalizar o cessar-fogo.
No domingo (7), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que o Irã poderia retaliar em resposta aos ataques israelenses no sul de Beirute e ao bloqueio naval americano em curso contra portos iranianos.
Também no domingo, um funcionário americano disse à Al Jazeera que o governo Trump considera o Hezbollah “exclusivamente culpado” pelos conflitos no Líbano.
O impasse sobre os ativos iranianos, somado às ameaças militares e às divergências sobre o alcance regional do acordo, mantém as negociações em um cenário de alta tensão diplomática.



