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Trump diz que países enviarão navios de guerra ao Estreito de Ormuz

Presidente dos Estados Unidos afirma que coalizão internacional ajudará a manter rota energética aberta enquanto conflito com o Irã eleva tensões globais

Vista aérea da costa iraniana e do porto de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz (Foto: Reuters/Stringer)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que diversos países devem enviar navios de guerra para garantir a segurança do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de energia. 

A declaração foi feita em meio ao agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que já chega ao 15º dia e mantém a hidrovia praticamente bloqueada.

As informações foram publicadas pela rede Al Jazeera, que relata que a passagem marítima — responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente — permanece sob forte tensão militar desde o início das hostilidades.

Trump fala em coalizão internacional

Em publicação na rede Truth Social no sábado (14), Trump afirmou que várias nações devem participar de uma operação conjunta com os Estados Unidos para garantir a livre navegação no estreito.

Segundo o presidente norte-americano, países que dependem da rota energética teriam interesse direto em participar da iniciativa. Ele citou China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido como exemplos de nações que poderiam contribuir para a operação.

Na mensagem, Trump declarou que esses países enviariam navios de guerra “em conjunto com os Estados Unidos da América, para manter o Estreito aberto e seguro”.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou que Washington já teria eliminado completamente a capacidade militar do Irã, embora tenha reconhecido que Teerã ainda poderia realizar ataques limitados. Segundo ele, o país poderia “enviar um ou dois drones, lançar uma mina ou disparar um míssil de curto alcance” na região.

Trump afirmou ainda que, caso ocorram ataques, os Estados Unidos responderiam com força. Ele declarou que o país “bombardearia impiedosamente a costa e afundaria continuamente barcos e navios iranianos”, prometendo manter o estreito “ABERTO, SEGURO e LIVRE”.

Irã contesta declarações

Autoridades iranianas reagiram às afirmações do presidente norte-americano. Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que a passagem marítima não foi fechada formalmente por meios militares.

“O Estreito de Ormuz ainda não foi fechado militarmente e está apenas sob controle”, disse.

Em mensagem publicada na rede X, ele também criticou as declarações de Trump, afirmando: “Os americanos alegaram falsamente a destruição da marinha do Irã. Depois, alegaram falsamente a escolta de petroleiros. Agora, estão até pedindo reforços a outros países.”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, esclareceu que as restrições no estreito não se aplicam a todo o tráfego marítimo, mas apenas a “petroleiros e navios de inimigos e seus aliados”.

Já Mohsen Rezaee, integrante do Conselho de Discernimento do Irã, declarou: “Nenhum navio americano tem o direito de entrar no Golfo”.

Exceções para alguns países

Apesar das restrições, algumas embarcações estrangeiras conseguiram atravessar o estreito após negociações diplomáticas.

Dois navios petroleiros com bandeira da Índia transportando gás liquefeito passaram com segurança pela região no sábado pela manhã, informou Rajesh Kumar Sinha, secretário especial do Ministério de Portos, Transporte Marítimo e Hidrovias da Índia.

O embaixador iraniano em Nova Délhi, Mohammad Fathali, confirmou que Teerã concedeu autorização excepcional aos navios indianos após conversas diretas entre o primeiro-ministro Narendra Modi e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian.

Um navio de propriedade turca também recebeu permissão para atravessar o estreito após negociações entre Ancara e Teerã. Outros 14 navios turcos ainda aguardam autorização.

Presença militar dos EUA cresce na região

Enquanto as tensões aumentam, os Estados Unidos reforçam sua presença militar no Oriente Médio. Cerca de 2.500 fuzileiros navais e o navio de assalto anfíbio USS Tripoli estão a caminho da região após solicitação do Comando Central dos EUA (CENTCOM), aprovada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth.

Apesar da escalada militar, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou na semana anterior que Washington não estava preparado para escoltar navios comerciais através do estreito.

Impactos globais e risco humanitário

O bloqueio da passagem também levanta preocupações sobre segurança alimentar e estabilidade econômica mundial.

Segundo o Center for Strategic and International Studies, o Estreito de Ormuz é essencial para o transporte de gás natural liquefeito utilizado na produção de fertilizantes à base de nitrogênio. Esses fertilizantes são fundamentais para o cultivo de grãos e cereais responsáveis por mais de 40% das calorias consumidas globalmente.

Na Índia, a situação já levou o governo a adotar medidas emergenciais para garantir o abastecimento de gás de cozinha utilizado por cerca de 333 milhões de residências.

O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, alertou que “milhões de pessoas estão em risco” caso cargas humanitárias não consigam atravessar a rota com segurança.

Especialistas veem falta de estratégia clara

Para alguns analistas, a proposta de formação de uma coalizão internacional pode indicar ausência de uma estratégia definida para lidar com o fechamento da rota.

O especialista em segurança do Oriente Médio Andreas Krieg, da Escola de Estudos de Segurança do King’s College London, avaliou a situação em entrevista à Al Jazeera.

“Não parece que eles tivessem um plano para o fechamento do Estreito de Ormuz, e parece uma medida desesperada em uma campanha de informação para acalmar os mercados e dar a entender que algo mágico acontecerá para abrir o estreito, sem que haja um diálogo efetivo com o regime iraniano”, afirmou.

Segundo Krieg, não existe uma solução militar rápida para reabrir a passagem marítima, já que ataques esporádicos do Irã seriam suficientes para afastar companhias de seguro e paralisar o tráfego.

Ele alertou que enviar navios de guerra sem um acordo diplomático poderia apenas aumentar os riscos, expondo “embarcações militares muito, muito caras a projéteis muito baratos, mas potencialmente muito eficazes”.

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