Economist já projeta recessão global em razão do fechamento de Ormuz
Bloqueio do estreito por mísseis iranianos interrompe cerca de 15% do petróleo mundial e desencadeia o maior choque energético da história
247 – A revista britânica The Economist alerta que o fechamento do Estreito de Ormuz, provocado pela guerra envolvendo o Irã, pode desencadear uma grave crise econômica global e até uma recessão mundial. O bloqueio parcial da principal rota energética do planeta interrompeu cerca de 15% do fornecimento global de petróleo, gerando o maior choque de energia já registrado.
Segundo análise publicada pela revista, a atual crise energética mostra que a ideia, difundida por economistas nas últimas décadas, de que grandes choques petrolíferos pertenciam ao passado revelou-se equivocada. Durante anos acreditou-se que a diversificação da produção de energia e a maior eficiência das economias tornariam improvável um impacto semelhante ao das crises dos anos 1970.
No entanto, os acontecimentos das últimas semanas no Golfo Pérsico demonstram que um choque suficientemente grande na região ainda pode provocar uma crise econômica profunda.
Choque maior que o das crises do petróleo dos anos 1970
De acordo com a The Economist, os mísseis iranianos impediram que cerca de 15% da oferta global de petróleo atravessasse o Estreito de Ormuz, um gargalo geopolítico essencial para o sistema energético mundial.
Esse volume representa aproximadamente o dobro da interrupção observada durante os choques do petróleo da década de 1970, quando embargos e conflitos no Oriente Médio levaram a economia mundial a uma fase de estagflação e recessão.
Embora a economia global atualmente utilize menos energia por unidade de produção do que naquela época — a intensidade energética caiu pela metade desde os anos 1970 — o tamanho do bloqueio atual compensa essa redução e cria um impacto potencialmente devastador.
Na prática, isso significa que uma parcela gigantesca do petróleo produzido no Golfo Pérsico ficou temporariamente presa do lado oriental do estreito, incapaz de chegar aos mercados internacionais.
Liberação de reservas não resolve o problema
Em resposta à crise, a Agência Internacional de Energia anunciou em 11 de março a liberação de até 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas internacionais.
A medida busca reduzir temporariamente o impacto da escassez de petróleo no mercado global. Ainda assim, segundo a análise da revista, essa solução é apenas parcial e enfrenta limitações logísticas.
Mesmo com a liberação das reservas, o anúncio não conseguiu conter totalmente a pressão sobre os preços da energia. Após a medida, os preços do petróleo continuaram a subir, refletindo o temor de que o bloqueio no Golfo possa durar semanas ou até meses.
Impactos globais, mas desiguais
Embora o choque energético seja mundial, seus efeitos econômicos não devem ocorrer de forma uniforme entre os países.
Economias altamente dependentes do petróleo do Oriente Médio tendem a sofrer mais intensamente. Países asiáticos, que importam grande parte de sua energia do Golfo Pérsico, estão entre os mais vulneráveis ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
Já algumas nações produtoras de energia fora da região podem experimentar benefícios temporários com a alta dos preços do petróleo, ampliando receitas de exportação.
Ainda assim, o impacto agregado tende a ser negativo para a economia mundial, pois o aumento abrupto dos custos de energia afeta cadeias produtivas, transporte, indústria e preços de alimentos.
Risco crescente para o crescimento global
O choque no fornecimento de energia ocorre em um momento delicado para a economia mundial, que já enfrenta pressões inflacionárias e tensões geopolíticas.
O encarecimento do petróleo tende a elevar a inflação global, reduzir o poder de compra das famílias e pressionar empresas que dependem fortemente de energia e transporte.
Além disso, o aumento dos preços energéticos dificulta a tarefa dos bancos centrais, que podem ser obrigados a manter juros elevados por mais tempo, freando o crescimento econômico.
Segundo a avaliação da The Economist, a combinação desses fatores cria um cenário em que o risco de recessão global aumenta significativamente caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongue.
Vulnerabilidade estrutural da economia mundial
A crise também evidencia a vulnerabilidade estrutural do sistema energético global. Apesar de décadas de avanços tecnológicos, diversificação da produção e aumento da eficiência energética, a economia mundial continua profundamente dependente de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Isso significa que conflitos regionais podem rapidamente transformar-se em crises econômicas globais.
O episódio atual mostra que, mesmo em uma economia mais diversificada do que no passado, choques geopolíticos no Golfo Pérsico ainda têm potencial para provocar turbulências profundas no sistema econômico internacional.

