Trump retira convite ao Canadá para integrar conselho da paz
Decisão do presidente dos Estados Unidos ocorre após discurso crítico do primeiro-ministro canadense em Davos e aprofunda tensão diplomática
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar o convite feito ao Canadá para integrar o Conselho da Paz, iniciativa lançada por seu governo com o suposto objetivo de intermediar conflitos globais. A medida foi anunciada horas após críticas públicas do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e marcou uma reviravolta abrupta na posição da Casa Branca em relação a Ottawa, informa a Reuters.Trump tornou pública a decisão por meio de uma postagem na rede Truth Social, direcionada diretamente a Carney. “Que esta carta sirva para representar que o Conselho da Paz está retirando o convite feito ao senhor para que o Canadá se junte, em qualquer época, ao que será o Conselho de Líderes mais prestigioso já reunido”, escreveu o presidente dos Estados Unidos.
A mudança de postura ocorreu após o discurso de Carney em Davos, no qual o premiê canadense criticou países poderosos que utilizam a integração econômica como instrumento de pressão política, incluindo o uso de tarifas. Em sua fala, Carney afirmou que o mundo precisava aceitar o fim de uma ordem global baseada em regras e sustentou que o Canadá poderia servir de exemplo de como “potências médias” podem atuar em conjunto para evitar a submissão à hegemonia americana, citando também o recente acordo comercial firmado com a China.
Trump reagiu de forma direta às declarações do primeiro-ministro. Em Davos, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o Canadá “existe graças aos Estados Unidos” e declarou que Carney deveria demonstrar gratidão pela “generosidade anterior” norte-americana. Dirigindo-se nominalmente ao líder canadense, acrescentou: “Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”.A retirada do convite ocorreu no mesmo dia em que Trump lançou oficialmente o Conselho da Paz. A iniciativa foi apresentada inicialmente como um mecanismo para consolidar um cessar-fogo em Gaza e prevê que seus membros permanentes contribuam com um pagamento de US$ 1 bilhão cada para o financiamento das atividades. “Assim que este conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos”, disse Trump na Suíça. Em seguida, acrescentou: “E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”.
Entre os países que aceitaram integrar o conselho estão Argentina, Bahrein, Marrocos, Paquistão e Turquia. Outros aliados históricos dos Estados Unidos, como Reino Unido, França e Itália, já indicaram que, por ora, não pretendem participar da iniciativa.


