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Trump usa ameaça ao Irã para encenar vitória, avalia Miola

Comentarista avalia que presidente dos EUA elevou retórica militar por desgaste estratégico diante de Teerã

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no Rockland Community College em Suffern, Nova York, EUA, em 22 de maio de 2026 (Foto: REUTERS/Kylie Cooper)
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247 - O presidente estadunidense Donald Trump recorreu a uma ameaça militar contra o Irã para tentar construir uma imagem de força após o desgaste estratégico dos Estados Unidos e de Israel no conflito com Teerã, avaliou Jeferson Miola, nesta quinta-feira (11), durante participação no Giro das Onze, do Brasil 247. As informações são do programa transmitido pelo canal do 247 no YouTube.

Segundo Miola, a fala atribuída a Trump, na qual o presidente norte-americano ameaçou atacar o Irã e controlar áreas petrolíferas do país, não deve ser ignorada, mas tampouco pode ser interpretada apenas pelo valor literal. Para o comentarista, a escalada verbal cumpre uma função política interna, voltada à tentativa de apresentar uma narrativa de vitória diante de uma situação desfavorável.

“Ele perdeu essa batalha para o Irã, ele e Israel”, afirmou Miola. “Ele retoma o assunto para construir uma retórica vitoriosa e aparente apenas. E é retórica.”

Durante o programa, o apresentador Gustavo Conde leu a mensagem atribuída a Trump: “Os Estados Unidos atacarão o Irã com muita força esta noite. Em algum momento, num futuro não distante, tomaremos a ilha de Carg e outros pontos de infraestrutura petrolífera e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela.”

Miola avaliou que Trump enfrenta dificuldades tanto no campo estratégico quanto no político. Para ele, a ameaça de ataques “brutais e devastadores” contra o Irã esbarra na capacidade de reação de Teerã e no risco de ampliação do conflito em todo o Oriente Médio.

“A gente nunca pode desprezar inteiramente as ameaças, mas também nunca pode comprá-las pelo valor de face, porque ele diz uma coisa, não faz”, afirmou.

Irã teria capacidade de retaliação, afirma comentarista

Na análise de Miola, uma ofensiva mais ampla dos Estados Unidos poderia provocar resposta iraniana contra bases militares norte-americanas e alvos israelenses. Ele destacou que o Irã, mesmo sem capacidade de defesa equivalente à dos Estados Unidos e de Israel, teria condições de causar danos relevantes com custos muito menores.

“O Irã, que não tem nenhuma capacidade de defesa, isso é notório e é reconhecido pelo próprio governo iraniano, tem uma enorme capacidade de revidar a um custo muito inferior”, disse.

Para o comentarista, a possibilidade de retaliação iraniana abala especialmente Israel, que já teria visto sua credibilidade militar afetada. Miola afirmou que Teerã conseguiu superar o sistema de defesa israelense conhecido como Domo de Ferro, o que provocou impactos materiais e psicológicos na sociedade israelense.

“O Irã descobriu a forma de atingi-los e isso estava gerando danos internos materiais, atingindo certas localidades e gerando na opinião pública israelense uma situação de pânico que só era vista nos países agredidos por Israel”, disse.

Miola também afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria arrastado Trump para o conflito, apostando em uma operação rápida. Segundo ele, o resultado foi diferente do esperado, criando um impasse político e militar.

“O Netanyahu arrastou o Trump para esse conflito com a promessa de que seria um passeio no parque”, afirmou.

Programa nuclear iraniano entra no centro da disputa

Miola avaliou ainda que a exigência de Trump para que o Irã abandone seu programa nuclear se tornou politicamente inviável. Para o comentarista, a escalada militar reforça, em vez de enfraquecer, os motivos de Teerã para manter sua tecnologia nuclear.

“Se antes o Irã já tinha os motivos para continuar a sua tecnologia nuclear, agora ele terá motivos para abandoná-la? Agora ele tende a incrementar mais ainda isso”, declarou.

Na avaliação de Miola, o conflito tende a se prolongar durante o mandato de Trump, já que um recuo explícito poderia significar o reconhecimento de uma derrota. Ele afirmou que uma eventual retomada de negociações só seria provável após o fim do período trumpista.

“Ele vai perdurar enquanto perdurar o mandato do Trump. Ele não encerra, ele não vai conseguir encerrar isso”, disse.

Miola critica Fifa e realização da Copa nos EUA

O comentarista também relacionou o clima de tensão internacional à abertura da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Para Miola, a realização do torneio em solo norte-americano, sob um governo que impõe restrições e pressões políticas, expõe a submissão da Fifa a interesses econômicos e ao poder de Trump.

“Se o futebol não fosse algo tão mercadorizado e mercantilizado, envolvendo negócios multitrilionários, esta Copa teria sido sabotada”, afirmou.

Miola disse que a entidade máxima do futebol deveria ter reagido às restrições impostas pelos Estados Unidos ou transferido as partidas previstas no país para Canadá e México. Ele classificou a postura da Fifa como submissa ao governo norte-americano.

“O que faz a Fifa hoje, dirigida pelo Gianni Infantino, é se subjugar. É um capacho do Trump”, disse.

Para o comentarista, o problema não se limita ao presidente dos Estados Unidos. “O problema não é só do Trump, o problema é a falta de dignidade de quem dirige o futebol no mundo que se sujeita a essa realidade”, afirmou.

Alcolumbre é o “Artur Lira do Senado”, diz Miola

No debate sobre política nacional, Miola direcionou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ele afirmou que o senador teria assumido o papel de operador das pautas da extrema direita e do Centrão no Congresso.

“O Alcolumbre virou o Artur Lira do Senado”, disse.

Segundo Miola, Alcolumbre rompeu uma dinâmica de governabilidade que havia funcionado durante a presidência de Rodrigo Pacheco no Senado e passou a agir como “senhor do tempo” das pautas de interesse da oposição ao governo Lula.

“Ele é o senhor do tempo das necessidades, das demandas, das prioridades da extrema direita no Congresso Brasileiro”, afirmou.

Miola relacionou a atuação de Alcolumbre à tramitação de pautas com impacto bilionário nas contas públicas, à resistência em discutir o fim da escala 6x1 e ao tratamento dado a propostas ligadas à extrema direita. Para ele, o presidente do Senado usa a agenda legislativa para pressionar o governo e preservar alianças políticas.

O comentarista também citou o caso Banco Master ao analisar a postura de Alcolumbre. Segundo Miola, o senador teria razões políticas para evitar o avanço de investigações no Congresso.

“Ele está envolvido com o esquema Master”, afirmou Miola, ao comentar as suspeitas políticas em torno do caso. “A gente não sabe quais outros envolvimentos que o Alcolumbre tinha com o Vorcaro, que poderão aparecer e poderão estar nas provas.”

Miola defende tratamento republicano a Alcolumbre

Ao tratar da relação entre Lula e Alcolumbre, Miola afirmou que o diálogo institucional pode ocorrer, mas dentro de limites. Para ele, não há espaço para negociação que implique usurpação das prerrogativas do presidente da República.

“O diálogo que o governo tem que ter com ele é um diálogo republicano, inclusive com a Polícia Federal republicana”, disse.

Miola afirmou que Alcolumbre deve ser tratado como qualquer cidadão brasileiro. “Não está acima de ninguém”, completou Gustavo Conde, durante a análise.

O comentarista também criticou a resistência do presidente do Senado à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Para Miola, o Senado tem a função de avaliar requisitos constitucionais do indicado, mas não de substituir a prerrogativa presidencial de escolha.

“Ele quis nomear um ministro de Suprema Corte. Me diz onde está escrito que um presidente do Senado tem essa prerrogativa”, questionou.

Caso Banco Master e delação de Vorcaro

Miola também comentou a tentativa de colaboração de Daniel Vorcaro no caso Banco Master. Para ele, qualquer discussão sobre delação deveria ocorrer apenas após o exame completo das provas pela Polícia Federal.

“Este acordo de delação sequer deveria ser discutido antes de exaurir o exame de todas as provas”, afirmou.

Segundo Miola, a Polícia Federal ainda estaria diante de um material amplo a ser analisado, e informações oferecidas por Vorcaro poderiam já estar disponíveis por outros meios. Ele afirmou que documentos e dados relacionados à investigação vêm sendo revelados gradualmente.

“O primeiro: a Polícia Federal não completou ainda o exame de um único celular, e já encontrou uma fábula que rende muita coisa”, disse.

Para o comentarista, a delação, nos termos apresentados, não deveria avançar se não trouxer informações novas e relevantes sobre o esquema investigado.

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