"Uma guerra onde todos perdem”, diz Zé Dirceu sobre agressões dos EUA ao Irã
Ex-ministro diz que o Oriente Médio, a economia mundial e as democracias são vítimas da guerra
247 - A avaliação de que “uma guerra onde todos perdem” se desenha no cenário internacional foi feita pelo ex-ministro José Dirceu ao comentar a escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo ele, o Oriente Médio, a economia mundial e as democracias figuram como principais vítimas do conflito, em meio ao agravamento das hostilidades e aos impactos globais no setor energético.
A análise foi publicada por Dirceu em suas redes sociais nesta terça-feira (7), em uma postagem na qual o ex-ministro também abordou os reflexos da crise para o Brasil. “O ultimato de Trump ao Irã e a rejeição do cessar-fogo deixam o mundo em alerta sobre uma guerra onde todos perdem. O Oriente Médio, submetido a ciclos intermináveis de tensão; a economia mundial, sujeita a choques recorrentes; e as democracias, fragilizadas por um ambiente global cada vez mais hostil às normas”, afirmou.
O comentário ocorre em meio ao avanço da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que chega ao 39º dia com intensificação dos ataques e aumento das ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo. A escalada inclui bombardeios a alvos em território iraniano, como aeroportos, universidades e instalações petrolíferas, além de declarações cada vez mais duras por parte das lideranças envolvidas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom ao ameaçar a “demolição completa” da infraestrutura estratégica iraniana caso o país não reabra o Estreito de Ormuz dentro do prazo estipulado. Apesar de reconhecer que a resposta iraniana a uma proposta de cessar-fogo foi “significativa”, classificou-a como “insuficiente”. Em reação, autoridades militares iranianas descreveram as ameaças como “delirantes” e associaram a postura norte-americana a um cenário de “vergonha e humilhação” na região.
No campo econômico, os desdobramentos do conflito já impactam diretamente os preços da energia e pressionam governos ao redor do mundo. No Brasil, o tema também entrou na agenda do governo federal. Ainda na mesma postagem, Dirceu destacou medidas adotadas para mitigar os efeitos internos da crise. “O Governo apresentou um pacote de medidas para conter alta nos preços de combustíveis, reduzindo os efeitos internos e fortalecendo a soberania energética e a segurança do abastecimento no país, garantindo que a população brasileira continue sendo uma das menos afetadas pela crise geopolítica”, escreveu.
De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de R$ 31 bilhões já foram mobilizados em subsídios e desonerações tributárias com o objetivo de conter a alta dos combustíveis. O ministro Dario Durigan afirmou que o principal desafio é assegurar que esses benefícios cheguem ao consumidor final. Ao ser questionado sobre novas medidas, respondeu: “Ainda não”.
Durigan também reforçou a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proteger a população brasileira dos efeitos do conflito internacional. “O presidente Lula nos deu uma diretriz, que é a diretriz de que uma guerra que não tem nada a ver com o Brasil, que a gente tem uma série de críticas a essa guerra, que ela não traga prejuízos à nossa população”, declarou.
Com o agravamento das tensões no Oriente Médio e a instabilidade nos mercados globais, o cenário permanece incerto, enquanto lideranças políticas e econômicas buscam conter os impactos de uma crise que, como aponta Dirceu, tende a produzir perdas em múltiplas frentes.


