Zelensky propõe encontro com Putin para encerrar guerra na Ucrânia
Presidente da Ucrânia envia carta aberta ao líder russo, defende cessar-fogo durante negociações e sugere reunião para buscar o fim do conflito
247 - O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, publicou uma carta aberta dirigida ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, propondo uma reunião entre os dois líderes com o objetivo de negociar o fim da guerra que já dura mais de quatro anos. A iniciativa foi divulgada nesta quinta-feira (4) e, segundo informações da Reuters, também foi encaminhada a diversos países, incluindo os Estados Unidos.
Na mensagem, Zelenskiy argumenta que a sociedade russa estaria cada vez mais desgastada pelos efeitos do conflito, citando os ataques com drones e mísseis, além de problemas econômicos como inflação e escassez de combustíveis. O líder ucraniano sustenta que há espaço para uma solução negociada e defende o início imediato de um processo diplomático.
O presidente também alertou que a conjuntura internacional exige rapidez na busca por um acordo. Segundo ele, com os Estados Unidos concentrando atenções no conflito envolvendo o Irã, seria inadequado aguardar que a guerra na Europa voltasse a ocupar o centro das discussões globais.
Zelenskiy defende cessar-fogo durante negociações
Ao apresentar sua proposta, Zelenskiy afirmou que o caminho para a paz deve começar na linha de frente dos combates. Em sua avaliação, a diplomacia precisa ser acompanhada por medidas concretas para reduzir a violência no terreno.
O presidente reiterou a posição de Kiev em favor da suspensão das hostilidades enquanto as negociações estiverem em andamento. Segundo ele, “um cessar-fogo total durante as negociações. Esta é a prática padrão”.
Zelenskiy acrescentou que os Estados Unidos poderiam desempenhar papel relevante nesse processo. De acordo com sua carta, os norte-americanos “têm a capacidade de monitorar um cessar-fogo ao longo da linha onde as hostilidades cessam”.
Proposta inclui reunião presencial entre os líderes
Como parte da iniciativa, o presidente ucraniano sugeriu a definição de uma data específica para um encontro com Putin. Ele mencionou que diversos países possuem tradição em sediar negociações relacionadas a conflitos internacionais.
Entre os possíveis anfitriões, Zelenskiy citou a Suíça, a Turquia e países do mundo árabe. A intenção, segundo a carta, é criar condições para uma negociação direta entre as duas lideranças.
Em um dos trechos mais enfáticos da mensagem, o presidente ucraniano escreveu: “Não tenham medo de trilhar o caminho para fora desta guerra. Isso é o mais importante que se exige de vocês agora”.
Ucrânia afirma que continuará lutando se não houver acordo
Zelenskiy também deixou claro que a proposta de diálogo não representa uma desistência da resistência militar ucraniana. Ele afirmou que a continuidade da defesa do país seguirá sendo uma prioridade caso não haja avanços rumo à paz.
“A Ucrânia propõe o fim desta guerra através de um diálogo direto entre nós — e vocês. Proponho uma reunião... Se vocês não chegarem pessoalmente à conclusão de que é hora de acabar com esta guerra, a Ucrânia continuará lutando por sua existência”, escreveu o presidente.
Em outro trecho, o líder ucraniano sugeriu que a continuidade da guerra pode ter consequências políticas para o próprio Putin. “É um fato da história russa que você conhece bem: quando a Rússia se cansa, a mudança chega.”
Kremlin confirma recebimento da carta
Em Moscou, o Kremlin informou que tomou conhecimento da carta enviada por Zelenskiy e declarou que o conteúdo seria levado ao conhecimento de Putin.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou na rede social X que a mensagem também será encaminhada oficialmente pelos canais diplomáticos entre os países.
Sybiha classificou o documento como “uma proposta séria e significativa para acabar com a guerra... com passos claros e viáveis e um convite para uma reunião pessoal”. O chanceler acrescentou: “Esperamos uma resposta significativa a esta proposta. É hora de acabar com esta guerra. É hora de escolher a paz.”



