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Putin diz que uso do míssil Oreshnik na Ucrânia foi teste e revela critério dos ataques

Presidente russo afirma que disparos contra alvos ucranianos serviram para avaliar resultados do novo sistema balístico e orientar decisões futuras

Rússia ataca Ucrânia com Oreshnik (Foto: Reprodução X)
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247 – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (4) que o uso de mísseis balísticos Oreshnik contra a Ucrânia teve caráter de teste, e não de emprego em combate “no sentido estrito da palavra”. Segundo ele, os ataques foram realizados contra locais onde seria mais fácil observar e avaliar os resultados do sistema, considerado um dos mais modernos do arsenal russo.

As declarações foram feitas por Putin a representantes de agências de notícias e divulgadas pela RT Brasil. O presidente russo afirmou que, diferentemente do Oreshnik, outros sistemas de armas do país haviam sido submetidos previamente a testes em campos de provas. No caso do novo míssil, segundo ele, a própria operação contra alvos ucranianos serviu para avaliar sua eficácia.

Putin fala em “segredo militar do Estado”

Durante a conversa com jornalistas, Putin afirmou que o uso do Oreshnik na Ucrânia não deve ser interpretado como uma aplicação convencional em combate. Ele disse que os disparos tiveram como objetivo principal medir os resultados do sistema balístico em condições reais.

"Na verdade, em todo o território da Ucrânia, não houve um único uso do Oreshnik em combate, no sentido estrito da palavra", declarou o presidente russo.

Em seguida, Putin afirmou que revelaria um “importante segredo militar do Estado” ao explicar o critério usado para a escolha dos alvos atingidos.

"Para ser honesto, vou revelar um importante segredo militar do Estado. Eles simplesmente atacavam onde era mais fácil ver os resultados", disse.

A declaração reforça a leitura de Moscou de que o Oreshnik foi utilizado como instrumento de demonstração e avaliação tecnológica, em meio à escalada militar do conflito na Ucrânia. Putin não tratou os ataques como ações isoladas, mas como parte de um processo de observação destinado a orientar futuras decisões militares.

Drones russos teriam examinado hangar atingido

Segundo Putin, após um dos ataques, drones russos entraram no hangar atingido para avaliar os efeitos do míssil. O presidente afirmou que o local foi examinado de forma detalhada pelas forças russas.

Ele disse que os drones analisaram o hangar "milimetricamente", em uma operação voltada a medir com precisão os danos provocados pelo sistema balístico.

De acordo com o presidente russo, esse tipo de avaliação é necessário para que Moscou possa decidir como utilizar o Oreshnik em operações futuras.

"Isso é importante para que possamos tomar decisões futuras sobre o uso em larga escala do míssil Oreshnik contra alvos pretendidos", afirmou Putin.

A fala indica que a Rússia vê o míssil como uma arma estratégica em processo de validação operacional. Ao apresentar o ataque como teste, Putin buscou diferenciar o Oreshnik de outros sistemas russos já submetidos a procedimentos tradicionais em campos de prova.

Míssil Oreshnik foi usado em três ocasiões, segundo a RT Brasil

Durante o conflito, a Rússia utilizou o míssil Oreshnik em três ocasiões, segundo as informações divulgadas pela RT Brasil. A última delas teria ocorrido no final de maio.

O Ministério da Defesa russo afirmou que o ataque mais recente foi realizado em resposta a crimes atribuídos por Moscou ao regime de Kiev contra civis russos. Entre os episódios citados está o bombardeio de uma residência estudantil na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk.

De acordo com a versão russa, o ataque contra a residência estudantil deixou 21 jovens mortos. Moscou apresentou a operação com o Oreshnik como uma resposta direta a esse episódio.

A Ucrânia e seus aliados ocidentais, por sua vez, têm denunciado a Rússia por ataques em território ucraniano desde o início da guerra. O conflito permanece marcado por acusações mútuas, ataques de longo alcance, disputas territoriais e uso crescente de tecnologias militares avançadas, incluindo drones, mísseis balísticos e sistemas de defesa aérea.

Novo míssil entra no centro da disputa militar

O Oreshnik passou a ocupar lugar de destaque na narrativa russa sobre sua capacidade militar. Ao mencionar o sistema em declarações públicas, Putin sinaliza que Moscou pretende usar a arma também como instrumento de dissuasão.

A fala do presidente russo ocorre em um momento em que a guerra na Ucrânia segue sem perspectiva imediata de solução diplomática. As forças russas continuam a justificar suas ações como respostas a ataques ucranianos, enquanto Kiev afirma estar defendendo seu território contra a ofensiva de Moscou.

Ao afirmar que o Oreshnik foi lançado contra locais onde os resultados poderiam ser observados com mais facilidade, Putin associou o uso do míssil a um processo de coleta de informações técnicas. A mensagem, no entanto, também tem impacto político e militar, pois indica que a Rússia considera o sistema apto a desempenhar papel mais amplo em futuras operações.

AIEA anuncia cessar-fogo localizado perto de Zaporozhie

No mesmo contexto de tensão militar, a Agência Internacional de Energia Atômica informou nesta sexta-feira (5) que entrou em vigor um cessar-fogo localizado entre Rússia e Ucrânia na região da usina nuclear de Zaporozhie, a maior central nuclear da Europa.

Segundo a AIEA, a trégua foi intermediada pela própria agência para permitir reparos em linhas de transmissão de energia e reduzir o risco de um acidente nuclear.

"Um cessar-fogo localizado, intermediado pela AIEA, entrou em vigor hoje na linha de frente perto da usina nuclear de Zaporozhie, abrindo caminho para reparos cruciais nas linhas de transmissão de energia, visando prevenir a ameaça de um acidente nuclear", informou a agência.

Sob supervisão de especialistas da AIEA, técnicos dos dois lados devem iniciar nos próximos dias os trabalhos de reparo na linha de transmissão de energia de 750 quilovolts de Dneprovskaya. Antes disso, está prevista uma operação de desminagem na área.

A situação em Zaporozhie tem sido uma das maiores preocupações internacionais desde o início da guerra. A usina permanece em zona de conflito, e danos às linhas de energia aumentam os riscos de falhas no fornecimento necessário à segurança das instalações nucleares.

Escalada tecnológica amplia riscos do conflito

As declarações de Putin sobre o Oreshnik e o anúncio da AIEA sobre Zaporozhie mostram duas dimensões centrais da guerra na Ucrânia: a escalada tecnológica no campo militar e o risco permanente de incidentes de grande impacto humanitário e ambiental.

De um lado, Moscou apresenta o uso do Oreshnik como um teste de precisão e capacidade de destruição. De outro, organismos internacionais tentam preservar canais mínimos de cooperação para evitar que o conflito produza uma catástrofe nuclear.

A afirmação de Putin de que os ataques serviram para observar os efeitos do míssil revela que a guerra segue funcionando também como um laboratório de novas armas. A consequência direta é o aumento da tensão estratégica entre Rússia, Ucrânia e potências ocidentais envolvidas no conflito.

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