Kremlin cobra reação do Ocidente a ataque de Kiev em escola de Lugansk
Moscou cobra condenação internacional após mortes em dormitório estudantil
Marco Fernandes e Serguei Monin, Brasil de Fato - As equipes de resgate concluíram, no último sábado (23), as operações de busca no local do bombardeio das Forças Armadas da Ucrânia em um dormitório estudantil em Starobelsk, na região de Lugansk. De acordo com o serviço de imprensa do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, os corpos de 21 vítimas foram encontrados.
“As operações de busca em Starobilsk, no local do desabamento do dormitório da Universidade Pedagógica de Luhansk, foram concluídas. Todos os corpos das vítimas foram recuperados dos escombros. Um total de 63 pessoas ficaram feridas, 21 das quais morreram”, diz o comunicado.
Nesta segunda-feira (25), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, criticou os países do Ocidente por não condenarem o ataque ucraniano no dormitório estudantil.
“Não vimos nenhuma ação que pudesse ser percebida como uma condenação a este ataque terrorista bárbaro contra jovens. Isso é tudo o que pode ser dito neste contexto”, disse Peskov.
Um ataque de drones ucranianos na região de Lugansk, na madrugada da última sexta-feira (22), atingiu um dormitório estudantil. Inicialmente, foi informado que seis crianças haviam morrido, mas as autoridades locais informaram que ainda havia outras sob os escombros. No sábado (23), as buscas foram concluídas e a região de Lugansk declarou um luto oficial nos dias 24 e 25.
O território da autoproclamada República Popular de Lugansk, localizado no leste ucraniano, foi anexado formalmente pela Rússia em setembro de 2022, junto com as regiões de Donetsk, Kherson e Zaporyzhye. No entanto, Moscou não possui pleno controle da região, onde acontecem intensos combates na linha de frente do conflito.
Jornalistas estrangeiros visitam local do ataque
Mais de 50 jornalistas estrangeiros de 19 países viajaram para Starobelsk após o ataque das Forças Armadas da Ucrânia. A reportagem do Brasil de Fato esteve presente na comitiva organizada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Nesta segunda-feira (25), o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou que diversos veículos de comunicação ocidentais decidiram não se deslocar a Starobelsk para observar o local do ataque.
“Notamos que diversos veículos de comunicação ocidentais decidiram não ir até lá sob vários pretextos. Isso não favorece a imagem desses veículos; não agrega credibilidade às informações que eles divulgam”, disse Peskov.
Ao receber os correspondentes internacionais, o governador de Lugansk, Leonid Pasechnik, afirmou que “as vidas das crianças são intocáveis, não há justificativa para atos como esse”.
“Primeira vez que tantos jovens são assassinados […]. Ataques violentos dos fascistas como esse são inaceitáveis no século 21, mas vamos encontrar os culpados e julgá-los segundo leis internacionais, pois se trata de um crime de guerra. Os pais desses jovens não puderam entender por que esses ataques aconteceram”, afirmou.
Já a alta comissária da Rússia para os Direitos Humanos, Yana Lantrapova, acusou o governo ucraniano de mentir sobre o bombardeio de drones lançado em Lugansk. Kiev havia afirmado que o ataque teve como alvo instalações militares russas.
“Vocês podem ver a hipocrisia, as mentiras. Vocês só veem os pertences das crianças, de civis; não há instalações militares ou pessoal militar aí dentro, era só uma escola. Essas crianças queriam se tornar professoras, engenheiras, programadoras; elas queriam ter um futuro, elas eram criativas, mas sua vida foi encurtada”, afirmou.
No momento do ataque, 86 adolescentes estavam no dormitório. Foi declarado estado de emergência na cidade. O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, descreveu o incidente como um “crime monstruoso do regime de Kiev”, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, classificou o bombardeio como um ataque terrorista e instruiu o Ministério da Defesa a preparar propostas de resposta.
Retaliação russa
No domingo (24), as forças russas atacaram a capital ucraniana, Kiev, com o míssil hipersônico “Oreshnik”. De acordo com a Força Aérea Ucraniana, o ataque envolveu 600 drones e 90 mísseis, dos quais 549 e 55 foram interceptados, respectivamente.
Ataques ocorreram próximos a prédios de governo, escolas, universidade e prédios residenciais deixando quatro mortos e 55 feridos.
O Ministério da Defesa russo, por sua vez, afirmou que o ataque maciço com mísseis e drones, incluindo o míssil Oreshnik, teve como alvo alvos militares. Moscou não comentou sobre os danos em Kiev e as vítimas civis.


