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Após libertação total de Lugansk, Rússia endurece exigências em negociações com a Ucrânia

Avanço russo em Lugansk é importante vitória estratégica

Após libertação total de Lugansk, Rússia endurece exigências em negociações com a Ucrânia (Foto: Alexander Ermochenko/Reuters)

247 - O avanço militar russo com o controle total da República Popular de Lugansk (LPR) indica uma mudança estratégica nas negociações com a Ucrânia, marcada por exigências mais rígidas e menor disposição para concessões.

Moscou tende a ampliar sua zona de segurança e intensificar a pressão sobre Kiev, em meio a um cenário de fragilidade dos aliados ocidentais.

De acordo com análise publicada pela Sputnik Internacional, o analista militar Alexei Leonkov afirma que a conquista da LPR demonstra perda de confiança da Rússia nas negociações com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que, segundo ele, oferece “nada além de conversa fiada e manobras publicitárias”.

Segundo Leonkov, a Rússia deverá expandir sua zona de segurança para áreas ainda sob controle ucraniano. Ele destaca que uma das condições iniciais para negociações de paz incluía a retirada das forças ucranianas das regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye, exigência que, segundo o analista, não foi cumprida por Kiev.

“A Rússia expulsou as tropas ucranianas à força, infligindo-lhes pesadas baixas no processo”, afirmou. Para ele, a recente declaração do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov de que Zelensky precisa decidir sobre a retirada das forças do Donbass indica que os entendimentos preliminares para negociações “essencialmente deixaram de existir”.

O analista também avalia que o contexto internacional contribui para a atual posição russa. Ele afirma que a Ucrânia e seus aliados ocidentais enfrentam um momento de fragilidade, agravado pelas consequências do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Com a melhora das condições climáticas, Leonkov aponta que as forças russas ganham vantagem operacional. “As ofensivas russas agora podem avançar além das estradas principais, possibilitando manobras de flanqueamento e penetrações mais profundas nas linhas inimigas”, explicou.

Na avaliação do especialista, o momento é estratégico para intensificar a ofensiva. “Este é um momento oportuno para quebrar a espinha dorsal dos militantes ucranianos”, disse. Ele acrescenta que o controle da LPR pode impulsionar o avanço rumo ao oeste, com o objetivo de cumprir o que Moscou define como metas centrais da operação: desmilitarização e desnazificação.

Leonkov também afirma que a resistência ucraniana e o apoio ocidental prolongado não devem impedir a continuidade das ações russas. “Com o inimigo relutante em se render e os apoiadores ocidentais especulando que a Ucrânia pode resistir por mais 2 a 3 anos, nossas forças continuarão avançando para destruir essa ilusão”, declarou.

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