Cemig mira expansão de gasodutos e redes trifásicas em Minas
Novo presidente, Alexandre Ramos Peixoto, assume com foco em gás, modernização da rede elétrica e transição energética
247 - A Cemig terá como prioridades ampliar a rede trifásica no interior de Minas Gerais e atuar em conjunto com a Gasmig para expandir gasodutos no Estado, segundo afirmou o novo presidente da companhia, Alexandre Ramos Peixoto, que tomou posse nesta segunda-feira (11).
As informações são do Valor Econômico. Ramos assumiu o comando da Companhia Energética de Minas Gerais no lugar de Reynaldo Passanezi, em cerimônia realizada na manhã desta segunda-feira (11), marcando uma nova fase para a estatal mineira em meio a um plano estratégico de investimentos de R$ 70 bilhões até 2030.
Uma das frentes centrais da nova gestão será a conversão de redes monofásicas em trifásicas. Minas Gerais possui cerca de 300 mil quilômetros de redes monofásicas, modelo considerado mais limitado para atender às demandas de fornecimento, especialmente em áreas rurais. A substituição por redes trifásicas tende a elevar a qualidade e a estabilidade da energia distribuída no interior do Estado.
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou que a Cemig deverá enxergar as mudanças no setor elétrico como oportunidade para fortalecer sua relação com os consumidores. “Nós temos que ser capazes de enxergar a abertura do mercado de baixa tensão como uma oportunidade, por conta da nossa carteira de clientes; tratar o nosso cliente como o maior ativo da companhia efetivamente. Nós temos que conduzir a transformação da economia de Minas Gerais na direção de uma economia verde, com fontes renováveis que a própria Cemig oferta”, disse.
Simões também destacou o papel da companhia no controle da Gasmig, distribuidora de gás canalizado em Minas Gerais. Segundo ele, a expansão da infraestrutura de gás natural será um dos desafios da nova gestão. “E há um quarto ponto a ser considerado, que é a importância da Cemig enquanto controladora da Gasmig. Um dos desafios é a expansão do gás no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro”, afirmou.
Ao tomar posse, Ramos afirmou que a Cemig precisará se adaptar a um cenário de mudanças profundas no setor energético. Para o executivo, a transição energética, a digitalização, a descentralização da geração e o maior protagonismo dos consumidores estão redesenhando o papel das empresas de energia.
“Estamos passando por transformações estruturais que afetam a dinâmica e o funcionamento do mercado”, disse Ramos. Ele citou ainda a abertura integral do mercado de energia no Brasil, os desafios impostos pelas mudanças climáticas, a transição para fontes renováveis e a regulamentação de mercados de certificações como temas que devem orientar a atuação da companhia nos próximos anos.
A escolha de Ramos foi elogiada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em publicação nas redes sociais. “É um nome técnico, experiente, qualificado e muito preparado para o cargo, tendo desenvolvido um grande papel à frente da CCEE, do nosso ecossistema, com grande interlocução junto a todo nosso quadro do Ministério de Minas e Energia”, afirmou.
Silveira também associou a chegada do novo presidente da Cemig ao momento de reestruturação do setor energético nacional. “Conseguimos, nos últimos três anos, grandes resultados ao avançarmos na reestruturação do setor energético do país, principalmente com a reforma do setor elétrico que promovemos depois de tantos anos”, disse.
Segundo Simões, a escolha de Alexandre Ramos Peixoto levou em conta sua trajetória na própria Cemig e sua experiência no setor elétrico. Filho de funcionários da companhia, Ramos ingressou na empresa em 1989 e construiu uma carreira de 36 anos, chegando à diretoria de regulação e relações institucionais.
Engenheiro mecânico de formação, o novo presidente também atuou em órgãos estratégicos do setor, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Na Cemig, participou da elaboração de soluções regulatórias emergenciais durante a pandemia de covid-19, em articulação com o Ministério de Minas e Energia. As medidas acabaram adotadas posteriormente em escala nacional.
Ramos também presidiu, desde 2003, o conselho de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Ele foi eleito pelo conselho de administração da Cemig na quinta-feira (7), com a missão de dar continuidade ao plano de modernização da companhia e ao ciclo de investimentos previsto até 2030.



