Confiança do comércio recua em abril após cinco meses de alta
Índice da CNC cai 1% ante março, mas permanece na zona de satisfação, com empresários mais cautelosos diante de incertezas externas
247 - O Índice de Confiança do Empresário do Comércio recuou 1% em abril na comparação com março, interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de alta. Apesar da queda, o indicador da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) permaneceu em 105,6 pontos, acima da linha de 100 pontos, que separa a zona de insatisfação da zona de satisfação.
Segundo a CNC, a piora na confiança reflete um ambiente de maior prudência entre empresários do setor, diante de incertezas internacionais e do cenário doméstico em ano eleitoral. Na comparação com abril de 2025, o índice ainda registra avanço de 2,9%.
De acordo com a entidade, fatores externos pesaram sobre a percepção dos comerciantes. “O otimismo do empresariado foi impactado por fatores geopolíticos e domésticos. As tensões entre EUA e Irã elevaram o preço internacional do petróleo, pressionando os custos de combustíveis e gerando incertezas sobre a inflação e o ritmo da política monetária”, afirmou a CNC.
Embora o indicador geral tenha caído, a avaliação sobre as condições atuais apresentou melhora de 1,1% na passagem de março para abril. Dentro desse componente, houve avanço na percepção sobre a economia, que subiu 1,5%, sobre a própria empresa, com alta de 1%, e sobre o setor, que cresceu 0,8%.
O movimento foi diferente nas expectativas para os próximos meses. Esse componente caiu 2,3%, puxado por recuos na avaliação futura da economia, de 3,1%, do setor, de 2,4%, e da empresa, de 1,6%. O resultado indica que, apesar de reconhecerem alguma melhora no quadro presente, os empresários demonstram menor confiança em relação ao desempenho adiante.
As intenções de investimento também tiveram retração, com queda de 0,9% em abril. O item relacionado a investimentos na empresa avançou 0,5%, mas houve redução nas perspectivas de contratação de funcionários, de 1,8%, e na intenção de formação de estoques, de 1,2%.
O presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirmou que o setor segue sustentado por fatores internos, mas alertou para a necessidade de estabilidade. “O comércio brasileiro tem demonstrado uma resiliência notável, sustentada pela força do mercado de trabalho e pela recuperação da renda real. Contudo, o momento exige cautela e serenidade. O aumento da incerteza externa e as pressões inflacionárias globais demandam um ambiente interno de previsibilidade e estabilidade”, declarou.
Entre os segmentos varejistas, a queda mais intensa foi registrada em bens de consumo duráveis, como eletrônicos e veículos, cuja confiança recuou 1,4% em relação a março. O setor de bens semiduráveis, que inclui roupas, calçados e acessórios, teve baixa de 1,1%. Já o segmento de bens não duráveis, como supermercados e farmácias, apresentou retração mais moderada, de 0,5%.
Mesmo com a perda de fôlego em abril, o índice ainda indica confiança positiva no comércio. O recuo, no entanto, mostra que o empresariado passou a incorporar com mais força os riscos associados à inflação, aos custos de combustíveis, ao ambiente internacional e às incertezas econômicas internas.


