HOME > Negócios

Consumidores podem reduzir pedidos se delivery ficar mais caro, aponta pesquisa

Pesquisa mostra que 67% dos usuários diminuiriam compras em apps se preços subirem e apenas pequena parcela aceita pagar taxas acima de R$ 12

Entregador por aplicativo (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - Uma pesquisa encomendada pelo iFood indica que a maioria dos consumidores brasileiros que utilizam aplicativos de entrega reduziria a frequência de pedidos caso o custo final do serviço aumente. O levantamento mostra que 67% dos clientes afirmam que diminuiriam suas compras se os preços subirem, enquanto 15% dizem que abandonariam completamente as plataformas diante de um encarecimento do delivery, relata a Folha de São Paulo.

Os dados foram coletados em fevereiro pela consultoria de dados PiniOn, que entrevistou 1.533 consumidores em todas as regiões do Brasil. Segundo o estudo, o principal fator que influencia a decisão de compra nos aplicativos é o preço final do pedido, especialmente o valor das taxas de entrega.

De acordo com o levantamento, a faixa considerada mais aceitável para a taxa de entrega está entre R$ 4,99 e R$ 8,49. Apenas 5% dos consumidores afirmaram aceitar pagar valores superiores a R$ 12. Os resultados também mostram que somente 16,4% dos usuários manteriam a mesma frequência de pedidos caso os preços aumentem.

Outro dado relevante indica que o custo total do pedido já é hoje um fator decisivo para desistências. Entre consumidores que já abandonaram uma compra antes de finalizar o pagamento, 56,4% apontaram o valor final como principal motivo, sendo a taxa de entrega uma das principais barreiras.

A pesquisa também revelou um potencial de expansão do mercado de delivery no país. Cerca de 35,2% dos entrevistados afirmaram que gostariam de fazer mais pedidos pelos aplicativos. Dentro desse grupo, 64,2% disseram que questões financeiras impedem que utilizem as plataformas com a frequência desejada. Promoções, descontos, frete grátis e preços menores nos estabelecimentos aparecem como fatores capazes de estimular maior uso dos aplicativos.

Os resultados devem alimentar o debate sobre a regulamentação do trabalho em plataformas digitais, tema em discussão no Congresso Nacional. Entre os pontos analisados está a possibilidade de criação de um valor mínimo para remuneração dos entregadores. Nas propostas discutidas, o pagamento poderia chegar a R$ 10 por entrega, além de R$ 2,50 por quilômetro adicional, embora ainda não exista consenso sobre o modelo.

Na avaliação do iFood, o aumento no custo dos pedidos não necessariamente resultaria em maior renda para os entregadores. A empresa sustenta que a elevação dos preços pode provocar redução da demanda, gerando ociosidade e perda de oportunidades de trabalho nas plataformas.

Outro aspecto apontado é o risco de elitização do serviço. Segundo a empresa, consumidores da classe C já demonstram maior resistência a taxas de entrega elevadas, o que poderia levar a uma queda no número de pedidos se os custos aumentarem.

O estudo também identificou diferenças de comportamento conforme o posicionamento político dos consumidores. Entre entrevistados que se identificam com a esquerda, a maioria aceita pagar taxas entre R$ 4,99 e R$ 8,49, enquanto apenas 3,5% afirmam aceitar valores superiores a R$ 12, o menor índice registrado. Já entre eleitores de direita, 19,8% afirmaram não pagar taxa de entrega, e 5,6% disseram aceitar valores acima de R$ 12.

Além da pesquisa sobre comportamento do consumidor, outro levantamento da empresa apontou mudanças no uso de crédito dentro da plataforma. Entre dezembro e janeiro, os pagamentos parcelados no cartão mais que dobraram em relação aos dois meses anteriores, atingindo 1,3 milhão de pedidos.

Inicialmente, o sistema iFood Pago permitia parcelamentos apenas em compras de mercados e farmácias. Posteriormente, a modalidade foi ampliada também para pedidos em restaurantes. Segundo a companhia, a expansão reflete a necessidade de crédito por parte dos consumidores, que utilizam o parcelamento como estratégia para diluir gastos e manter o planejamento financeiro mensal.

Artigos Relacionados