Coreia do Sul adia abertura de mercado à carne bovina do Brasil
Cancelamento de vistorias em frigoríficos brasileiros posterga avanço esperado pelo governo Lula em meio a novas restrições da China
247 - A Coreia do Sul cancelou as visitas técnicas que faria a frigoríficos brasileiros e adiou a decisão sobre a abertura de seu mercado à carne bovina do Brasil, movimento considerado estratégico pelo governo do presidente Lula diante das novas regras impostas pela China às importações da proteína.
As informações são da Folha de S.Paulo. Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária não se manifestou sobre o cancelamento da vistoria nem sobre os próximos passos da negociação com Seul.
A inspeção em plantas frigoríficas brasileiras era tratada como uma etapa relevante para destravar o acesso da carne bovina nacional ao mercado sul-coreano. A entrada no país asiático é uma demanda antiga do setor produtivo brasileiro e ganhou ainda mais importância após Pequim anunciar mudanças nas condições de compra da proteína vermelha.
Em fevereiro deste ano, o então ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, acompanhou Lula em visita oficial à Ásia e afirmou que o governo havia obtido avanços para viabilizar a “tão sonhada auditoria” da carne bovina brasileira. A auditoria sanitária é um dos procedimentos necessários para que o país importador avalie se os estabelecimentos brasileiros cumprem os requisitos exigidos para exportação.
O adiamento ocorre em um momento de pressão para diversificação de destinos da carne brasileira. Em dezembro do ano passado, a China anunciou medidas de salvaguarda sobre importações de carne bovina, com definição de cotas por país e cobrança de tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem o limite estabelecido.
A decisão chinesa foi comunicada pelo Ministério do Comércio da China, o Mofcom. O Brasil, principal fornecedor de carne bovina ao mercado chinês, recebeu uma cota de 1,106 milhão de toneladas sem tarifa adicional para 2026.
No domingo (10), o Ministério do Comércio da China informou oficialmente que as importações haviam alcançado, no sábado (9), 50% da cota anual definida para 2026. O dado consta do comunicado nº 32/2026 do Departamento de Remédios Comerciais, segundo o qual o volume registrado corresponde ao limite fixado no anúncio ministerial feito em 2025.
O governo chinês também alertou que, quando a cota chegar a 100%, será aplicada uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente. A cobrança passará a valer a partir do terceiro dia após o esgotamento do teto.
Nesse contexto, a abertura do mercado sul-coreano é vista como uma alternativa relevante para ampliar o alcance internacional da carne bovina brasileira. O cancelamento das vistorias, porém, posterga uma etapa decisiva do processo e mantém indefinido o cronograma para eventual autorização de embarques ao país asiático.



